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sábado, 30 de maio de 2015

Índole do Ser Humano


       É uma das questões inquietantes que mais perturbam a mente humana. Qual a índole do ser humano? Somos, por natureza, bons ou maus? Poucos ou até nenhuns saberão a resposta. E, quando pensamos sabê-la, caímos em respostas inconclusivas.
        O homem vive num ambiente social que o impede de libertar a “fera humana”. Não é capaz de exprimir as suas frustrações e ideias mais profundas, macabras talvez. Vivemos de pensamentos que vão desde ajudar alguém na rua (a boa acção) até assassinar o nosso vizinho quando, às quatro da manhã, descarrega o autoclismo (o pensamento “enclausurado”). Isto é, há, em nós, um instinto completamente selvagem, irracional e de pouca duração que nos leva a querer aniquilar um terceiro. A efemeridade destes momentos torna-nos pessoas melhores pois, rapidamente, ganhamos consciência do mal que nos traria se cometêssemos um crime. Contudo, tudo isto acontece nas pessoas ditas normais. As outras, com problemas que já nem a psiquiatria ou a prisão controlam, cometem os piores actos, quer seja pelo calor do momento ou por vontade própria, quer se arrependam ou não. A verdade é que os cometem e cabe aos tribunais (é uma piada) julgar a natureza do seu comportamento. Há factores, na vida desses seres, que jamais seremos capazes de entender. Através dos seus crimes, percebemos a complexidade dos seus problemas mentais. Por esta ordem de ideias, podem-se constatar dois lados do lado “mau” do homem: o lado perfeitamente normal, ao nível do pensamento e o lado concreto, o dos assassinos sem causa. É como uma representação do “monstro” humano interior controlado vs monstro real. As diferenças entre os dois são, obviamente, enormes.
       Existe, ainda, um terceiro lado: o vingativo com causa. Aqui, é que se levantam grandes dúvidas em relação à verdadeira intenção do sujeito. Desde sempre conhecemos histórias de heróis que “combatem o mal e preservam o bem”. A televisão, o cinema e a literatura sempre idolatraram este conceito chave para a criação de novas aventuras: novos heróis e novos vilões. Assistimos a isto constantemente no nosso dia-a-dia e, mesmo que esta fantasia trágica traga mortes e catástrofes, nós, movidos pelo factor “monstro interior controlado”, adoramos que seja feita justiça contra todos aqueles que prejudicam a paz humana. Até que ponto matar quem mata é justo o suficiente para vivermos melhor em sociedade? Declaro-me fã da série televisiva americana “Dexter”, cujo protagonista veste a pele de um técnico forense especializado em sangue na polícia de Miami. A sua “missão” é matar todos aqueles que escapam à lei. Assim, servindo-se do seu emprego como disfarce, torna-se ele próprio assassino em série, assassinando, cruelmente as suas vítimas e depois cortando-as em pedaços que despeja no fundo do mar. Consegue recolher de cada um uma amostra de sangue que guarda, religiosamente, como se tratassem de troféus. Enquanto espectadora, isolo o mundo fantástico da ficção e interpreto-o de maneira a caber no mundo real, para que não seja apenas uma ideia televisiva. O meu imaginário, também conhecedor dos ideais da justiça, aceita a morte pela morte no campo da ficção pois é totalmente impossível ser imune ao prazer de ver o “mau da fita” ser castigado. Torna-se até inquietante estar do outro lado do ecrã e não ter meios para agir e, por este motivo, alguém o faz por nós. Ainda bem que assim o é.
        Há três ideias a diferenciar: o “eu” com pensamentos tétricos, o “eu” assassino e o “eu” justiceiro. Jamais saberemos identificar a percentagem de “mal” em cada um deles pois não se trata de uma ciência exacta. Aquilo que sabemos é que o homem depende de muitos factores para ser caracterizado, exclusivamente, como “bom”. Os dois adjectivos, o preto e o branco andam sempre de braço dado e, por vezes, complementam-se. Há que saber medir a quantidade de cada um para alcançar um tom cinza harmonioso. 

17 comentários:

  1. Eu bem digo que és como eu. Também sou super friorento ahahh
    As Jelly dão mesmo bom andar e acho que consegui criar um look bem descontraído. Aquela camisola foi suuuper barata. Se não me engano custou-me 5€. :P As riscas ficam bem com tudo, portanto acho que devias apostar :P

    Sinceramente acho que não somos nem bons nem maus... As circunstâncias da vida, as influências e coisas que tais é que nos fazem sair da nossa linha e fazer com que sejamos melhores e piores em certas situações.

    InstagramFacebook Oficial PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  2. Mais um texto brilhante com uma excelente reflexão! Muitos parabéns! Como bem escreves acho que essa é uma questão para a qual nunca saberemos a resposta correcta, até porque me parece que não existirá uma, mas sim várias...
    beijinhos
    http://direitoporlinhastortas-id.blogspot.pt/

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  3. greta blog! :D

    Visit my blog? xx Miss Beatrix (http://missbeatrix.blogspot.com)

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  4. Entender o ser humano, é difícil ou mesmo impossível

    Isabel Sá
    https://brilhos-da-moda.blogspot.pt

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  5. Ah, a índole do ser humano... ufa, tem tanto que se lhe diga que fico cansada ainda antes de começar. Mas gostei de ler (=

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  6. Bem, adorei ler este texto. Uma boa reflexão, bem explanada ;)
    o ser humano é um ser muito dificil de compreender...
    http://mypreciouspace.blogspot.pt/

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    1. Completamente de acordo, querida *My Precious Space*

      https://matildeferreira.co.uk/

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  7. R: Eu foi mesmo para experimentar, mas já tenho facilidade em as colocar por isso eheh
    Beijinho*
    Novo post no blog
    http://andreiiaad.blogspot.pt/

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  8. amei seu blog,seguindo aqui,se puder retribuir,
    unhas-e-livros.blogspot.com.br

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  9. Bela reflexão, adorei! Nunca saberemos a resposta né? Afinal, cada um é cada um.
    Um beijo

    Dicas para Todas

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  10. Acho que a índole varia de pessoa pra pessoa não do ser humano de modo geral,como um todo
    xx

    http://shortgirl-s.blogspot.com.br/

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  11. Tem pessoas que pensam que já nascemos "bom" ou "mal", acredito eu que não, o ambiente em que se nasce e cresce, a sociedade em si acabam por moldar digamos assim a índole e o caráter de um sujeito, mas há também a opção de escolher dizer sim ou não para o mal ou sim ou não para o bem, muito boa a sua reflexão ;D

    http://confissoesdeumaaprendiz.blogspot.com.br/

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    1. Concordo em absoluto*

      https://matildeferreira.co.uk/

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  12. Bom o post ótimo pra refletir!!!
    Beijokas da Camila e Carol
    http://www.vamospapear.com/

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  13. Seus textos são brilhantes e tocantes,com certeza agora refleti muito sobre isso.
    Beijos
    http://nadadecontodefadas.blogspot.com.br/

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  14. Vejo um titulo deste e obviamente que não podia deixar de cá vir dar uma espreita. Afinal o que é ser realmente normal? O maior louco é aquele que afirma não o ser. Apesar de contraditório, tem toda a lógica do mundo. Adorei o que escreves-te, somos constantemente colocados sob pressão de que temos de ser bons senão vamos para o "inferno", realmente devemos fazer o correcto não porque nos moldaram a isso mas sim pela própria consciencia. Desde pequena que tenho uma tendencia para gostar dos vilões dos filmes, embora também ajude um velhinho a atravessar a passadeira. Será que sou 50% má 50% boa? Acho que não me consigo decidir ahahah adoro os teus textos, nota-se que és dotada de uma boa fonte de inteligencia, gosto disso e vou continuar a seguir este blog com amor :)

    http://insporcelain.blogspot.pt/

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