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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Gimme Shelter | Filme

Gimme Shelter | 2013 | Ronald Krauss

Baseado numa histórica verídica, Gimme Shelter é um daqueles filmes que nos faz saltar lá para dentro e sentir aquilo que vai à flor da pele das personagens. Não é um filme difícil mas é dramaticamente real. Conta a história de Apple (Vanessa Hudgens), uma adolescente que nunca recebeu gratidão na vida. Só o sentimento de abandono e desprezo por parte das outras pessoas. A mãe June (Rosario Dawson) é a descrição viva da má mãe. Viciada em drogas, gasta todo o dinheiro da pensão de alimentos para alimentar o seu vício. O filme começa com Apple a fugir de casa, na esperança de encontrar o seu pai. Mas o papá já vive feliz numa mansão, com a sua nova família. E Apple não é propriamente a menina bonita no retrato familiar. Ainda assim, permanece em casa do pai até este e a madrasta descobrirem que ela está grávida. Depois de um acidente de carro, Apple é encaminhada para um abrigo de jovens mães. À medida que vai erguendo a sua autoestima, começa a desenvolver laços com as outras mães. Vale a pena ver!

Fiquei fascinada com o desempenho de ambas as actrizes. Agarram-se à sua nova forma física de um modo incrível. Fizeram-me acreditar nas cicatrizes do corpo e nas da alma. É um bom filme para quem não se importa de sentir a dor dos outros. Se estiverem atentos, irão perceber que há muitas mais Apples do que imaginamos. É uma realidade cruel. Saber que há imensas adolescentes perdidas e entregues à rua pelos próprios pais. Também é cruel o modo como fechamos os olhos a estes problemas. Fingimos não ver porque temos mais em que pensar. Ou então porque não temos pena destas jovens. Porque estão grávidas porque querem. Porque são ignorantes e irresponsáveis. Querem que vos diga a verdade? Sim, há uma percentagem de jovens estupidamente irresponsáveis. Mas isso não faz delas menos humanas. E nem faz delas a regra. E nem lhes sai o feijão que carregam no útero quando estalam os dedos. E não acontece só às coitadinhas e drogadas, como tanta gente faz questão de salientar. Acontece a qualquer jovem. E nem todas têm o apoio dos pais, dos amigos e do namorado (caso o seja). Com tudo isto, é de louvar que existam centros e abrigos que as ajudam a preparar-se para a maternidade (caso não queiram interromper a gravidez). Não só lhes concedem um biberão e uma chupeta, como as motivam e ajudam a encontrar trabalho para que se possam tornar financeiramente independentes. Para que possam cuidar do filho(a) como todos fazemos/faremos. É fascinante como tão pouca e má vida se transforma em duas vidas. Com sucesso, se formos optimistas. Se conhecerem alguma Apple, estendam-lhe a mão. Não a deixem na berma da estrada. Indiquem-lhe o caminho. Por vezes, é suficiente para que consigam andar sozinhas.