Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta educação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta educação. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Saudações Irritantes


O que é que faz a minha boa educação? Faz-me ser bem educada, claro. Mas nem sempre. Há pessoas que existem no mundo para me ver apenas de bentas. Saudar as pessoas faz parte da minha rotina. Bom dia aqui, boa tarde além e boa noite sabe-se lá onde. É um acto automático mas reflectido. Não digo bom dia a qualquer um. Garanto-vos que não gasto saliva com quem não a merece. Uma das coisas que mais me irrita neste mundo é a extrema simpatia da minha mãe. Diz bom dia a toda gente. Conheça ou não. Se passar um turista na rua (que nem português fala), lá está ela armada em Miss Simpatia a desejar o melhor dos dias a um estranho. Nunca me verão a fazer a isto. Ei que mau feitio. Sim e não. A verdade é que tenho alguns traumas relativamente a este assunto. Devem ser mais de mil as vezes em que entrei num estabelecimento, disse um bom dia fofinho e ninguém me respondeu. Ora, muito bem. Mas como eu não sou de desistir, continuei a espalhar a minha felicidade matinal forçada. Sem resultados. O pior é quando isto acontece com pessoas que somos obrigados a olhar todo o santo dia. Não respondem por sermos nós em concreto. Não respondem porque são bestas, snobs e só querem a felicidade diária para eles. Bem, assim sendo, deixei de largar palavras simpáticas. O bom dia passa a ser meu. Exclusivamente meu. Vá, não é bem assim. Ainda há aqueles 10% merecedores de boa educação, respeito e palavras doces. A esses, até um sorriso lhes disponho. Não sou assim tão má pessoa. Ultimamente as que pessoas que mais me têm ouvido são as funcionárias da faculdade. Vou para lá muito cedo, numa hora em que as ladies ainda estão a limpar o chão. Sinto-me tão mal por deixar aquilo tudo patinado. Mal seria se não expulsasse um bom dia encantador. A boa tarde fica para os cafés, para as lojas, etc. A boa noite destina-se, sobretudo, ao mundo virtual. Uma mensagem ou uma chamada. Sabemos que a noite seria bem melhor se não tivéssemos que o fazer dessa maneira. Um até amanhã mentiroso. Um xau. E um bom dia outra vez.

Sabem quando andamos na rua com a nossa mãe e paramos em todas as capelas para falar com alguém? E o que ouvimos é sempre: ai que grande estás. Mas não. Não estamos. Ai já não te via há tanto tempo. Ainda bem. Lembro-me tão bem de ti, quando eras bebé. Eu não. Estas pessoas desviam-me da minha órbita. Não as suporto. Sobretudo quando sei que a sua essência equivale a pouco. Quando sei que a falsidade que carregam é incurável. Isto acontece em todas as idades. Os "ais" é que vão sendo substituídos. Ai estás tão magrinha, devias comer mais. Ainda mais? Ai estás tão linda, minha filha. Filha?Credo, nunca. Bonita?Com esta borbulhona no meio da testa? Eu sei, eu sei, as pessoas estão só a apelar à boa educação. Mas o meu little diabo diz-me que não, que apenas gostam de mandar postas de pescada para o ar. Seja como for, não costumo pôr máscaras nestas ocasiões. Deixo a minha face pálida, hirta, inexpressiva. E, às vezes, ainda belisco o braço à minha mãe...