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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Grand Central

Grand Central 2013 Rebecca Zlotowski

No filme Grand Central, o jovem Gary, que nunca andou de mãos dadas com a sorte, começa a trabalhar numa Central Nuclear em França. É um trabalho de risco. Mas, pelo menos, é um trabalho. Os homens e mulheres que lá trabalham vivem numa pequena comunidade, à qual Gary se junta. Alertam-no para que tenha cuidado pois, no núcleo dos reactores, o nível de radiação aumenta. Ao mesmo tempo, sentem-se orgulhosos por levar a energia até às pessoas. Pois. A bela Karole compara o efeito da dose de radiação ao seu beijo. Diz-lhe : Vês? Sentiste tudo. Medo. Inquietação. Visão desfocada. Tonturas. Pernas bambas. É a dose. É o efeito da dose. Apaixonar-se por ela é, talvez, a sua maior contaminação. Tanto na central nuclear como na relação que desenvolvem, todos os dias passam por um constante perigo. Cria-se uma excelente analogia entre o amor e o perigo de vida. Há séculos que estas duas coisas vivem juntas. 
Entre alguns acidentes, Gary tem poucas oportunidades para continuar o seu trabalho. O seu nível de radiação deve estar sempre baixo. Caso contrário, será despedido. Ele e todos aqueles que não cumprirem as normas. Quando os níveis são muitos altos, ouvimos choros e desespero. Mas, não fazemos ideia do seu motivo. O que é pior? Perder um emprego, que, por muito mau que seja, nos sustenta, ou ter radiação no corpo? Não pergunto qual o melhor. Apenas, qual o pior? 

Tahar Rahim (Gary ) & Léa Seydoux (Karole)
Adorei este filme. É de uma simplicidade extrema, o que o torna bastante complexo. Aborda uma realidade que raramente nos ocupa o pensamento. Mostra-nos a vida de quem a arrisca todos os dias. Além disso, identificamo-nos com um amor impossível que não pede muito. Basta sê-lo. Como os Faith No More cantam na música We Care a Lot: well, it's a dirty job but someone's gotta do it.