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quarta-feira, 20 de maio de 2015

A gata e as pulgas

Aqui vai um desabafo de uma mãe desesperada. Pois é, a minha gata tem pulgas. Fora do comum?Nem por isso. A minha gata nasceu na rua, de uma gata de rua. Deixei-a ficar com a mãe o tempo necessário. Não queria que ambas sofressem com uma separação precoce. Contudo, quando a gata mãe saía, ia lá eu meter o bedelho. Era mais pequena que a minha mão. Um ratinho branco e felpudo. Demorou 11 dias a abrir os olhos. E dali saiu um grande mar azul. Começou a gatinhar rapidamente. Rapidamente, lhe descobri uma carraça na orelha. Essas nojentas deviam ser proibidas de atacar um bebé tão inocente. Entretanto, fui de férias durante uma semana. Voltei. A gata mãe maravilhosa já tinha abandonado a sua cria. E ali andava a minha micha, como um floco de neve, entre os outros gatos. Sim, alimento vários gatos à volta de casa/quintal. Estava tão doente. Conjuntivite. Levei-a ao veterinário, que lhe fez tudo e mais alguma coisa, e passei uma semana a colocar-lhe gotas nos olhos, três vezes ao dia. Recuperou. Transformou-se numa siamesa. E a partir daí, passou a ocupar um lugar na casa e na família. Um mês depois, apanhou pulgas. É fácil, apesar de não ter contacto com os outros gatos. Frontline no lombo. Entretanto, viemos para o Porto. Eu e ela, ela e eu e nós as duas. A primeira vez que fomos passar férias a casa, apanhou pulgas. Mais desparasitante. A minha gata tem o boletim em dia, sempre. Andou meses saudável, feliz, carinhosa, chata, má, dependente e independente. Como qualquer um. Até agora. Apanhou pulgas há duas semanas (em casa). Foi desparasitada. Anteontem, enquanto a mimava, vi um ser a passar entre o pêlo. Não quis acreditar. Fiquei tão irritada. Para que serve a m&#d@ do Frontline, afinal?Fui logo dar-lhe banho. Lá ficaram as pulgas, a afogar-se. Fiquei contente. Aspirei e limpei a casa toda por causa dos ovos. À noite, percebo que ainda as tem. Ficou de quarentena na cozinha. Ontem, fui logo de manhã à farmácia, onde perguntei: Bom dia, tem Frontline para cat? Ando mesmo aluada. Comprei. Apliquei. Quase rezei. Mas nem tanto. Aspirei e limpei, novamente. E pronto, ainda tem pulgas. Que final feliz, não acham? Estou à beira de um ataque de nervos. Não. Já o tive. Não sei o que posso fazer mais. Cada vez tem mais pulgas. Já consegui matar algumas com os dedos. Mas as gajas correm mais rápido do que eu. Estou a perder toda a fé nos desparasitantes. E, neste momento, não quero inquilinas cá em casa. Relato de uma vida a duas. Quer dizer, minha, da gata e das pulgas, que não morrem. Aceitam-se conselhos!

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