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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Não estou a matar ninguém


Hoje vou passar grande parte do dia a editar som para um projecto da faculdade. Quem me tem acompanhado, já deve ter percebido que até sou uma rapariga fofinha. Mas também tenho alguns parafusos a menos. Se adoro ver vídeos de gatinhos no youtube, também adoro berros, gemidos e afins. Uma das coisas que me dá gozo (e faz parte do meu trabalho) é criar sons. E, desta vez, os sons passam por tudo aquilo que é mórbido, aterrorizante, inquietante e abafador. Não é a primeira vez que o faço. Por algum motivo, os meus projectos vão sempre dar aí. Tenho o cérebro perturbado. Mas adoro! Estou a fazer um mini filme abstracto onde a maior parte das imagens são found footage. Como tenho imagens harmoniosas, decidi contrastar o visual com o auditivo. É algo que funciona muito bem. Atribuir novos sentidos às coisas, às imagens. Se tenho um casal a beijar-se numa paisagem de flores, então vou fazê-los sangrar dos ouvidos com gritos intensos de dor. Acreditem, não é estranho. Basta saber que, se lhes acoplarmos um canto de passarinhos, o casal aparenta ser feliz. E não é isso que queremos. São contrastes levados aos extremo. 

Sabemos que os sons dos filmes são criados para nos guiar. Para nos levar ao caminho exacto das nossas emoções. Eles sabem como fazer-nos sentir. Mas se estamos a ver uma laranja e a ouvir o som de um relógio, não bate a bota com a perdigota. Mas pode bater. É aqui que entra o nosso lado crítico. Agora já ninguém nos conduz. Vamos sozinhos e muitas vezes não queremos dar um passo à frente. Muitas vezes, não sabemos o que sentir porque ninguém nos pediu (obrigou) para sentir. Há que saber estimular as emoções. Há que saber prolongar o pensamento para onde nunca se atreveu a ir. Deixem-no ir. Não precisamos de ciências exactas a toda a hora. É isso que faço ao trabalhar com som. Deixo-me ir, mesmo que saiba o que estou a fazer. Portanto, hoje a minha casa vai vibrar com sons literalmente horríveis. A probabilidade de algum vizinho estar a ler isto é inferior a zero. Mas fica o aviso. Afinal, qual é o mal? Não sou eu que às duas da manhã tenho o "teru" das notificações do facebook nas alturas. Nem sou eu que arrasto cadeiras de madrugada como se de uma fantasia sexual se tratasse. Ah, e também não sou eu que dou um berro às oito da manhã para que o outro vizinho, que decidiu usar um berbequim, se cale. Só vantagens. Só perdoo o choro do bebé e o miar do gato.

23 comentários:

  1. Concordo plenamente e o o facto de sermos racionais faz com que tenhamos mais tendência para perder mais tempo a pensar se existem ou não coincidências. Também gostei do facto de ter histórias cruzadas e inesperadas. É um livro compacto mas muito, muito intenso!

    Deixa lá que eu também tenho uns quantos parafusos a menos :p Juro-te que estou expectante por ver e saber mais sobre esse teu projeto!!! Final podias partilhá-lo connosco :D

    InstagramFacebook Oficial PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  2. Bem, acho que os teus vizinhos podem aguentar um dia de sons estranhos =P hehe, bom trabalho!*

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  3. Bom trabalho...e que não apareça a policia à porta! ah,ah...

    Isabel Sá
    https://brilhos-da-moda.blogspot.pt

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  4. Ahahah adorava ouvir esses sons que crias! x

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  5. Adoro este post! Novo post no meu blog. Se gostares segue-me <3 Já te segui!
    http://1100days.blogspot.pt/2015/06/blue-flowers.html

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  6. Isso é bastante interessante porque ao não colocar os sons que poderíamos esperar com determinada imagem acaba por nos fazer pensar mais acerca disso.
    E também com vizinhos que fazem esse barulho todo não se podem queixar :p

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  7. adorei isa ficou muito bom o testo amei srsr
    são os sons ao nosso redor !!!
    bjocas da mel
    http://artmelzinha.blogspot.com.br/

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  8. R: Obrigada!
    Gostei :D
    Beijinho*
    Novo post no blog
    http://andreiiaad.blogspot.pt/

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  9. pronto, mesmo sendo a probabilidade de os teus vizinhos lerem isto tão tão tão reduzida, fixa o aviso dado ahah :P

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  10. Eu sou fanática por filmes de terror e acho que o som é o mais importante neste tipo de filmes!! Sem som não mete medo nenhum ahahah!!

    http://fashionwalkinbrussels.blogspot.com/

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  11. Ahahahahah, adorei a publicação!

    beijinhos
    food&emotions
    http://fefoodemotions.blogspot.pt

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  12. Também já vivi rodeada de vizinhos (e até colegas de casa) tolos! Acho que este ano a mais barulhenta sou eu x)
    Bom trabalho :)

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  13. Podias mostrar o resultado depois :p Acho que vai ficar top com um contraste assim!

    Giveaway - www.mykindofjoy.com

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  14. Ah que ótimo trabalho, depois compartilhe com a gente.
    Espero que seus vizinhos não te incomodem haha
    Um beijo

    Dicas para Todas

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  15. Começo a achar que isto de ser um bocadinho "psicótico" é coisa de signo Touro haha. Boa sorte com o projecto!

    Ricardo, The Ghostly Walker.

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  16. Hahah muito legal esse seu trabalho, Isa! Adoro a ideia da junção de imagens e sons que não são óbvios! Mostra depois pra gente.

    beijo
    www.belatriz.info

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  17. Adorei a cena do "teru" do facebook. A sério, li essa frase umas 3 vezes só para me rir de novo. Acho que não és a única com parafusos a menos ahah

    Marta Rodrigues, Majestic xx

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  18. Eu ia adorar ver alguns dos teus trabalhos, sem dúvida! :P
    beijinhos
    thefancycats.blogspot.com | GIVEAWAY

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  19. muito obrigada pela visita adorei
    volte sempre
    beijinhos
    CantinhoDaSofia

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  20. Nunca tinha parado para pensar em criar sons. Que sensacional! Que curso você faz ai em PT?

    | Promoção de um ano de A Bela, não a Fera |
    | FB Page A Bela, não a Fera|

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  21. Hhahahahah Adorei!!!! Realmente os vizinhos devem ficar imaginando o que está acontecendo! Avisa as pessoas pelas redes sociais, ou uma plaquinha na porta! ahahaha
    Beijos
    Paula Juliana
    http://overdoselite.blogspot.com.br/2015/06/resenha-neve-na-primavera-sarah-jio.html

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  22. Olá Minha Linda!
    Bem diferente o seu trabalho, mais bem interessante também, seus vizinhos devem ficar imaginado coisas hahaha
    Beijokas da Carol e da Camila :*
    www.vamospapear.com

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