Certamente já viram ou ouviram falar do vídeo que anda para aí a circular. Não vou ser eu a encaminhar-vos para ele. Longe disso. E vou tentar fazer uma descrição muito breve para depois poder desenvolver as minhas ideias. Há uma aldeia no concelho de Vila Flor cuja tradição se chama Queima do Gato. Claro que não é literal, pensam vocês. É um ritual simbólico. Pensamos todos. Pois bem. Aliás, mal. Não é. A tradição passa por prender um gato no cimo de um poste/árvore e...queimá-lo. Não se enganem. Vivo. Não vi o vídeo. Só vi uma imagem que é, para mim, uma amostra já significativa da brutalidade que ali praticam. Eu podia perguntar: o que é que se passa na cabeça das pessoas? Mas não vou. Porque não quero saber. Porque não é de agora. Porque tenho medo que nada vá mudar. Nem sei o que dizer. Ou então, sei demasiado bem. Custa-me imenso. Imaginem o vosso animal num cenário macabro destes. Levado a cabo por seres humanos. Humanos? Desde quando maltratar um animal só para obter prazer e folia é humano? Não são só os touros que sofrem porque sim. Estas atitudes só me fazem, cada vez mais, odiar a nossa raça. Esta raça tão racional e desenvolvida. Que nasce já plena de inteligência e capacidades. Que merda de raça é esta? Matem animais. Comam-nos. Não sou fundamentalista ao ponto de dizer que não como carne. Mas não os matem porque ficam excitados. Não os torturem para depois irem dormir descansados. Não os queimem vivos! Não façam disso uma festa. Não façam disso a maior diversão do mundo, seus cabrões. Cobardes. Bichos. Bichos da mais baixa base hierárquica. Morrei. Morrei vós, ó pessoas! Tomai-lhes o sofrimento na pele, na carne. Morrei e morrei já porque nem quero ouvir falar nos vossos nomes. A população da aldeia já veio dizer que usam o mesmo gato todos os anos. Que o gato não morreu. Que "está bem bonito". Que é só queimar o pêlo portanto não faz mal. Comentem vocês. Sinto demasiado nojo para isso. A GNR já abriu um inquérito judicial. Vamos lá ver se a lei que saiu há pouco tempo está "mortinha" para ser aplicada. Espero que sim. Que sejam condenados. Mas, às vezes, tal é a horta como as couves. Por mim, a "tradição" passava por ensaio de porrada aos intervenientes. Mas isso sou eu. Que não alimento compaixão por pessoas estúpidas e bárbaras.
Depois, há cães assassinados em massa. Há galos torturados. Há as touradas. Há namorados que espancam a gata da namorada. Há namoradas que fazem ultimatos aos namorados: o cão ou eu. Jogos de prazer humano. Não vos chega sodomizarem-se uns aos outros? Relativamente aos animais de estimação: se não gostam deles, não os tenham. Se não têm condições, não os tenham. Se não têm um pingo de amor e consciência, não os tenham. Se não têm tempo, não os tenham. Não me choca nada que não gostem de animais. Mas mantenham-se nesse limite. Não o ultrapassem. Não criem vinganças.
Agora vou trocar o ódio pelo amor. Quem quiser ter um cão ou um gato (ou qualquer animal), não se esqueçam que é um ser que vai precisar todos os dias de atenção, carinho, dedicação e comida. Eu adorava poder cuidar de todos os animais que me aparecem à frente. Mas acho que se todos (todos = os responsáveis e amorosos) cuidarmos, pelo menos, de um animal, já estamos a contribuir para um causa maior. Não queiram este ou aquele cão porque é de raça ou porque é bonito ou porque o catano. Há tantos (tantos, tantos) animais para adoptar. Porquê escolher um animal se jamais escolheriam um filho? Pode ser uma opinião um pouco extrema mas qualquer Bobi ou Tareco merece aquilo que temos para dar. Eu só tenho condições para ter uma gata. Acolhi-a. É a gata mais chata do mundo mas eu adoro-a. Entrou na minha vida no momento certo. É ela que me anima quando estamos sozinhas. É por ela que percorro todos os hipermercados à procura de promoções para que possa comer a melhor comida. Pode parecer ridículo mas é uma realidade. Não é só uma gata. É minha companheira. Estou aqui a escrever e ela está deitada aos meus pés. Descansada. Como se nada lhe pudesse acontecer. Sinto que sente a minha protecção. E sinto que gosta de mim, nem que seja da maneira mais irracional de sempre. Protejam os vossos animais. Não deixem que sejam protagonistas do "atirei o pau ao gato". Ou o lume ao gato. Amem-nos, incondicionalmente.
