Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta meninas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta meninas. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Já não sou a mais nova!

Há um momento na história da família em que somos os mais novos. Ocupei esse papel durante 16 anos na categoria dos netos. Era vê-los todos a pensar em mim. A comprarem-me coisas só porque sim. A aturarem-me as birras e, mais tarde, as crises. A mimarem-me e a ralharem-me. A comerem, de propósito, o Happy Meal, para depois me darem o brinde. Hoje, com 21, sou eu que faço isso. Apareceu a primeira bisneta e destronou-me. Agora ocupo aquele lugar estranho de prima-tia. Podiam simplificar esse grau de parentesco. Ou se é prima. Ou se é tia. Que confusão. De qualquer das maneiras, o reinado da minha prima-sobrinha nem chegou aos cinco anos. Ainda bem que a idade não lhe permite saber os banhos de mimo infinito que acabou de perder. Isto porque acabou de chegar outra prima-sobrinha. Só gajas nesta família. Infelizmente, esta criatura linda e recém-nascida só vai poder reinar durante nove meses. Porquê? Porque vem outro ser a caminho. Ainda é muito cedo para saber se a sapatilha será rosa ou azul, seguindo o cliché. Se isto continua assim, a vida familiar transforma-se num episódio de Game Of Thrones. A garotada nem vai ter tempo de aquecer o rabinho no trono. Não faz mal. Deixem vir as criancinhas a mim. Estou desejosa para que cresçam e eu possa ser a melhor pritia de sempre. Aquela a quem vão pedir para sair à noite. Mas isso significa que a minha idade também vai avançar. Então não. Deixai-vos estar com os livros da Porquinha Peppa na mão e fraldas no rabo. Tenho andado a pensar num novo cargo que espero ocupar daqui a muitos (muitos) anos. A mais velha da família. Se fui a mais nova, posso ser a mais velha um dia. Daí já ninguém me tira. Enquanto isso não acontece, vou ficar aqui a ter perder paciência com as meninas e a implorar que gostem de barbies para poder espremer a lágrima da nostalgia. Ou brincar com elas naqueles tapetes que têm estradas desenhadas. Ou a fazer desenhos e perceber, em cada gatafunho, risco e rabisco, os olhos, o nariz e a boca. Ou a tentar ser má para elas e ter medo a mim mesma. Ou a limpar-lhes a lágrima da cara porque "o chão é mau". E assim sai uma rainha do trono para dar lugar às melhores princesas do mundo. Adoro-vos minions, sem capacidade de leitura (ainda).