Mansfield Park, 1814. Podia falar de qualquer um dos
livros da Jane Austen. Escolhi este por ser o mais odiado por alguns leitores. Porquê? Por não ser a típica heroína austeana. Além disso, a história demora mais
tempo a chegar a algum lado. Embora isto seja verdade, nunca percebi em que
sentido é que o livro perde alguma coisa. Fanny Price, ainda criança, vai viver
com os seus tios para Mansfield Park. Isto acontece porque os seus pais, com
mais filhos, não conseguem suportar a sua educação. Longe dos irmãos e dos
pais, passa a conviver com os seus primos e tios. Cresce e aprende com eles. Tem
uma educação semelhante mas, ainda assim, é inferiorizada. Afinal, os seus
familiares têm dinheiro. Ela não. Enquanto cresce, ao longo dos anos, tem como
obrigação ajudar as tias nas tarefas domésticas. Isto é, fazer por elas. As
suas primas vivem num mundo paralelo e fútil. Um dos primos tem constantemente
um comportamento boémio. O outro, santo. Muita água correu até ao final do
livro. Só aí encontramos respostas. Jane Austen criou personagens muito reais
tendo em conta a sua época. Aborda a escravatura de um modo subtil. As críticas
à sociedade inglesa, à semelhança dos outros livros, são bastante óbvias.
Fanny Price é uma rapariga tímida,
frágil e submissa. Nunca aparece na linha da frente. Não é uma Elizabeth Bennet (Orgulho e Preconceito 1813).
Não sai a correr de casa. Não ignora as tarefas que lhe são destinadas. Não
opina, em voz alta, acerca do comportamento alheio. Não muita coisa. Vive nos seus pensamentos. É muito observadora e
perspicaz. Tem a capacidade de perceber, desde logo, o bom ou mau carácter das
pessoas. Vemos que ela não se engana. É muito ligada à tradição. Para ela, dar um passo à frente é, muitas vezes, um sacrifício. Sempre gostei da Fanny
mas sempre desejei que ela se passasse da
cabeça. Sintam-se inspirados!
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| Mansfield Park, filme de 1999 (trailer) |
