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domingo, 17 de maio de 2015

A Primeira Vez

A Blogazine é descrita como "uma revista escrita por bloggers, para bloggers". Foi lançada, online, no dia 16 de Maio. O tema desta primeira edição foi "a primeira vez". Ao visitarem, podem encontrar esse tema explorado em diversas áreas. Esperemos que tenha imenso sucesso, a partir desta vez, que é a primeira!

Participei num concurso que pedia textos livres acerca do tema. Tive a sorte de o meu ser seleccionado. Falo da primeira vez que me vi ao espelho. É, sem dúvida, um momento brilhante nas nossas vidas. Podem lê-lo na página 77 da Blogazine. Espero que gostem! Do meu texto e do resto das publicações, que tenho a certeza que foram feitas com muita dedicação!
A Primeira Vez by Isa Mirtilo em Blogazine

domingo, 3 de maio de 2015

Dia da mãe

Quem são as mães? Não me vou dar ao trabalho de distinguir as boas das más mães. Isso só aconteceria dando exemplos específicos. As mães não precisam de andar nove meses connosco no útero. As mães vão andar nove meses, nove anos e nove tudo connosco. Perto ou longe, vão estar ao nosso lado. Como não quero que alguém me diga “ah mas mães não são nada assim”, vou pegar no exemplo da minha e transformá-lo numa ideia geral. Muitos concordarão comigo. A minha mãe é a melhor do mundo. Toda a gente diz isso. Mas, a minha é mesmo a melhor! É completa. As mães discordam, batem-nos na cabeça, gritam e voltam a gritar, mas não julgam. As mães fazem-nos perder a cabeça mas são elas que, no fim, a apanham e colocam de novo no nosso pescoço. As mães deram-nos nalgadas na altura certa para agora sabermos que foi o correcto. As mães disseram-nos que não quando fizemos uma birra no hipermercado porque queríamos um brinquedo. Essas mães também nos acordaram numa manhã de domingo para dizer que o íamos comprar. As mães deram-nos banho com todo cuidado, cheias de medo que, com a água quente, nos transformássemos num leitão assado. As mães deixaram-nos ficar acordadas a brincar, na rua, até à meia-noite. As mães obrigaram-nos a comer a sopa mas depois compraram-nos um pacote enorme de gomas. As mães têm a melhor noção de equilíbrio. Têm uma balança perfeitamente alinhada. As mães ficaram chorosas e orgulhosas quando começámos a vestir-nos sozinhos. As mães foram rebeldes e deixaram-nos andar no banco da frente do carro. As mães passaram tardes a tentar explicar-nos os problemas de matemática. As mães adoravam os nossos beijinhos mas, odiavam quando nós, tínhamos vergonha de lhos dar em público. As mães perceberam que estávamos a crescer. Era triste deixar um rebento de soja no passado mas foi muito bom saber que nós éramos uma das suas melhores obras de arte. As mães são as verdadeiras artistas. Passaram e passam anos a trabalhar em nós. Sabem que somos uma obra inacabada. As mães deixaram-nos sair à noite. E nós voltámos para casa com medo que notassem que tínhamos bebido. Mas as mães, se nos conhecerem, riem-se. As mães suportam tudo. Suportam o mundo delas e o nosso. As mães incentivaram-nos a ser diferentes, a sair da caixa, a fazer e acontecer. As mães sempre viram nos nossos erros uma aprendizagem. Deixam-nos fazer asneiras as vezes necessárias porque, no fundo, aquilo que realmente importa somos nós. A nossa saúde e sanidade mental. Mal percebem que estamos a cair, apoiam um pé no precipício e, com o resto do corpo, apanham-nos. Às vezes, as mães, não fazem ideia das saudades que temos delas. As mães dormem connosco, não importa a idade. As mães ficam deitadas connosco no sofá, debaixo das mantas, a ver o Poirot e o Sherlock Holmes. As mães dão-nos o mimo necessário para continuar em frente. As mães riem de tudo connosco. As mães entendem as nossas piadas. Entendem o nosso humor negro e a nossa frustração com o mundo. As mães vão a todo o lado connosco mas também nos deixam ir sozinhos. As mães dão-nos espaço. As mães deixam o melhor bife para nós. As mães deixam-nos a última fatia do bolo de chocolate. As mães fazem isto tudo e muito (muito) mais. Pelo menos, a minha faz.  
Mary Cassat Mother and Child V 1900

sábado, 4 de abril de 2015

Ser Poeta

Há momentos na vida em que o tempo passa sem passar. Longos ou curtos, os dias transformam-se em agonia, ou alegria. Nesses dias ou momentos, a coisa mais estúpida serve de inspiração. Nada há para fazer. A natureza mantém-se viva e os homens e mulheres não são dignos de importância. Então escreve-se, rabisca-se e volta-se a escrever. Uns usam palavras “caras”, outros dão-se a conhecer, e outros escrevem porque lhes pedem e porque o devem fazer. Não há poetas. Há pessoas e mais pessoas, felizes e infelizes, que do vazio da sua mente, deixam escapar pensamentos que partilham com o mundo. Chamo-lhe ser solidário numa altura em que quase ninguém tem coragem de o ser. Então ser poeta é ser demente? Parte à procura da partilha, não da felicidade. Ainda assim, são e somos capazes de elevar o espírito, arrepiar a espinha e de, em dias em que o tempo não passa, fazer o tempo passar…