Não fumo. Não sou fundamentalista.
Fumem à vontade. Tenho a infelicidade de quase todos os meus amigos e
familiares fumarem. Não me deu para isso, pronto. Já me basta chegar a casa com
a roupa a cheirar a lareira. Ter que pôr os trapos todos ao sol. E a carteira.
O fumo entranhado na pele sintética é horrível. Mas pelos vistos a minha gata
não se saiu a mim. Deve ter tanta vontade de fumar que até come cigarros. Já
são várias as vezes que ataca os maços de tabaco de pessoas próximas. Aproveita
quando ninguém está a ver (pensa ela), põe-se em posição de ataque, dá ao rabo mil vezes e depois ataca o alvo. Milagrosamente consegue abri-lo. Tira um
cigarro, segura-o com a boca no filtro e exibe-se como se fosse uma grande
vaidade! Como não tem isqueiro (já lá vamos), contenta-se a mordiscar o
cigarro. Fica em êxtase quando vê um maço de cigarros e também adora destruí-lo
até não restar um único aviso anti-tabaco. Mas isso já faz parte da sua
performance (ver A Gata performer aqui). A micha ainda não desistiu de fumar.
Sabe que vai conseguir. Precisa de lume. São várias as colecções de isqueiros
que já adquiriu. Rouba-os a qualquer um. Vão ficando acumulados debaixo de
sofás, camas e armários. Há gatos com planos para destruir a raça humana. Esta
só quer fumar. Ainda bem que os isqueiros têm o dispositivo de protecção para
crianças. Enquanto isso não acontece só lhe resta, assim como a mim, uma coisa:
ficar com o pêlo a cheirar a fumo. E já ficou tantas vezes que só me apeteceu
mergulhá-la em perfume…mas nem tanto.
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sexta-feira, 10 de abril de 2015
terça-feira, 31 de março de 2015
A gata performer
A minha gata tem 9 meses. É uma criança ainda. Mas eu, como qualquer mãe que ama as suas crias, desde cedo lhe comecei a ver talentos. Artista de circo, cópia de suricata, futebolista, maratonista, etc. Com o tempo fui-me apercebendo que, para ela, isso não passavam de hobbies. Cansava-se e rapidamente voltava para uma das suas mantas, onde passava horas a dormir. Farta que a gata dormisse em qualquer lado (vivemos em democracia bem sei), fiz-lhe uma caixa em papelão. Aí coloquei a manta cor-de-rosa dos 3.99€ e implorei aos deuses egípcios que se tornasse o "spot" preferido dela. Nessa noite, fechei a porta do meu quarto. Custou-me mas também gostei de pensar que ela estaria toda contente na sua nova cama...na cozinha. Quando acordei e fui, ainda a dormir, até à cozinha, deparei-me com uma caixa de papelão 50x30cm, em mil ou mais pedaços. Não gostou. Voltámos à mesma rotina. Dias depois, fez o mesmo com postais que tenho colados na parede. E durante sei lá eu quanto tempo, fez o mesmo com mais postais, revistas, talões, caixas de comida, cadernos, desenhos, etc.
Foi então que comecei a perceber o verdadeiro talento da micha. Uma artista plástica com um conceito muito forte de performance. Adopta sempre o mesmo material, papel. O formato, cor, forma e utilidade são-lhe irrelevantes. Interessa apenas que tenham a característica de se desfazerem em flocos de neve, Depois, o seu lado performático entra em acção. Morde, abana, rasga, perfura. Sente a raiva, a destruição, a vontade de sentir. A obra nasce e morre no mesmo momento. Também ela é a obra. A acção sobre o material. A artista retira-se. O resultado? Laivos de papel num cenário onde o espectador é envolvido.
Nessa fase, passo-me da cabeça, grito o nome dela e tento dar-lhe uma "nalgada" (sim, uma nalgada) antes que ela se esconda. Depois, toda eu humana dominada pelo animal de estimação, pego na vassoura e na pá com ar derrotado. Porém, feliz por assistir a performances com tanta emoção...
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