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sábado, 23 de maio de 2015

Procrastinar

Quem nunca procrastinou que atire a primeira pedra. A procrastinação é entendida como o adiamento de algo. Deixar para depois. Se há coisas que fazemos com tempo e dedicação, há outras que vivem do último momento que têm para ser feitas. Bem, outras nunca o chegam a ser. Isto acontece com todo o tipo de tarefas. Mas agudiza-se com aquelas que envolvem estudos, trabalhos e datas. Sabemos que temos capacidade para lidar com isso. Mas, por vezes, é impossível. Nem se trata de deixar tudo para a última. Trata-se de ter tempo suficiente para executar algo. Trata-se de dizer, todos os dias, que fica para amanhã. Que hoje não dá. Que tenho preguiça. Que estou tão bem aqui. Que aqui estou tão mal. Que me falta aquela caneta. Que me faltam aqueles livros. Que tenho que limpar a casa. Que tenho que passear o cão. Que tenho que ir lá baixo comprar fruta. Que o Zé me disse para ir tomar café. Que a casa caiu. Que a casa voltou. Que tenho outra vez preguiça. Que tenho que dormir mesmo tendo dormido o dia todo. É normal se este cenário se repetir amanhã. Temos sempre em mente o nosso objectivo e mesmo assim não conseguimos iniciá-lo. Vivemos na ilusão que ainda há tempo. Mas o tempo passa e os nossos neurónios nem se apercebem. Ficaram coisas por fazer. Por experimentar. Por aprender. Amanhã é o grande dia e ainda não fizemos nada. Agora sim! O nosso corpo transforma-se numa máquina. O nosso cérebro no melhor dos processadores. Olhos bem abertos. Braços dispostos a tudo. E lá vamos nós sentir a adrenalina ao fazer algo que já devia estar feito. Entramos em modo sobrevivência. E se passamos horas sem parar para atingir a meta, também temos momentos de crises ai não consigo! Mas conseguimos. É um fenómeno sobrenatural. Dois meses de trabalho conseguidos em 12 horas. Depois, ficamos aliviados. Quando estava no liceu, ouvia muitas vezes: eu passei semanas a estudar, ele só estudou ontem e teve melhor nota. Deixando a inteligência de parte, que isso não me importa nada, podemos concluir que a procrastinação pode não influenciar os nossos resultados. Pelo contrário, pode-nos ajudar a encontrar as ferramentas necessárias para lidarmos com a organização, com a pressão e com a criação de novos métodos de trabalho. Portanto, nem tudo é mau. Como não sou um profeta do acto de procrastinar, não tenho dicas nem conselhos. Só posso dizer duas coisas: sabe muito bem não fazer nada mesmo tendo que fazer; não fazer nada não pode ser, sempre, um acto irreflectido. Procrastinando ou não, alcancem sempre os vossos objectivos.