Quem nunca procrastinou que atire a primeira pedra. A procrastinação é entendida como o adiamento de algo. Deixar para depois. Se há coisas que fazemos com tempo e dedicação, há outras que vivem do último momento que têm para ser feitas. Bem, outras nunca o chegam a ser. Isto acontece com todo o tipo de tarefas. Mas agudiza-se com aquelas que envolvem estudos, trabalhos e datas. Sabemos que temos capacidade para lidar com isso. Mas, por vezes, é impossível. Nem se trata de deixar tudo para a última. Trata-se de ter tempo suficiente para executar algo. Trata-se de dizer, todos os dias, que fica para amanhã. Que hoje não dá. Que tenho preguiça. Que estou tão bem aqui. Que aqui estou tão mal. Que me falta aquela caneta. Que me faltam aqueles livros. Que tenho que limpar a casa. Que tenho que passear o cão. Que tenho que ir lá baixo comprar fruta. Que o Zé me disse para ir tomar café. Que a casa caiu. Que a casa voltou. Que tenho outra vez preguiça. Que tenho que dormir mesmo tendo dormido o dia todo. É normal se este cenário se repetir amanhã. Temos sempre em mente o nosso objectivo e mesmo assim não conseguimos iniciá-lo. Vivemos na ilusão que ainda há tempo. Mas o tempo passa e os nossos neurónios nem se apercebem. Ficaram coisas por fazer. Por experimentar. Por aprender. Amanhã é o grande dia e ainda não fizemos nada. Agora sim! O nosso corpo transforma-se numa máquina. O nosso cérebro no melhor dos processadores. Olhos bem abertos. Braços dispostos a tudo. E lá vamos nós sentir a adrenalina ao fazer algo que já devia estar feito. Entramos em modo sobrevivência. E se passamos horas sem parar para atingir a meta, também temos momentos de crises ai não consigo! Mas conseguimos. É um fenómeno sobrenatural. Dois meses de trabalho conseguidos em 12 horas. Depois, ficamos aliviados. Quando estava no liceu, ouvia muitas vezes: eu passei semanas a estudar, ele só estudou ontem e teve melhor nota. Deixando a inteligência de parte, que isso não me importa nada, podemos concluir que a procrastinação pode não influenciar os nossos resultados. Pelo contrário, pode-nos ajudar a encontrar as ferramentas necessárias para lidarmos com a organização, com a pressão e com a criação de novos métodos de trabalho. Portanto, nem tudo é mau. Como não sou um profeta do acto de procrastinar, não tenho dicas nem conselhos. Só posso dizer duas coisas: sabe muito bem não fazer nada mesmo tendo que fazer; não fazer nada não pode ser, sempre, um acto irreflectido. Procrastinando ou não, alcancem sempre os vossos objectivos.
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sábado, 23 de maio de 2015
terça-feira, 14 de abril de 2015
Dolce far niente
Doce ociosidade ou, literalmente, fazer nada. Em bom português: não fazer a ponta dum corno. Esta é a expressão que define o meu estado de espírito de hoje. Depois de fazer uma análise às coisas que tenho que fazer, decidi que a melhor opção seria ficar com o esqueleto esticado no sofá. Devia sentir a consciência pesada a dizer: olha os trabalhos, olha que depois não tens tempo, olha que amanhã já é quarta, e depois quinta, e depois sexta, e depois fim-de-semana. Finalmente! Mas ainda é terça. E não fazer nada, hoje, dá-me imenso prazer. Nem sou capaz de pensar porque estou envolvida num sentimento hipnótico que me permite divagações acerca de tudo. Por outro lado, não me deixa pensar objectivamente. Também agora não quero. Amanhã acordo, prometo. Agora só quero ficar aqui, enquanto viajo por todo o lado. Quero ficar aqui a olhar para o infinito e ele para mim. A minha gata está como eu. Mas está assim todos os dias. Eu não posso. E embora não esteja a fazer nada, estou a fazer qualquer coisa. Mas isso já vai parar.
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| John William Godward Dolce Far Niente 1904 |
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