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terça-feira, 23 de junho de 2015

É hoje!



É hoje que volto para casa. Não vou lá há mais de um mês. Acho que nunca estive tanto tempo no Porto sem voltar para a santa terrinha. Não tenho saudades daquele fim de mundo. Nem daquelas pessoas que se metem na vida dos outros porque não se encontram na delas. Mas tenho saudades da família. Dos amigos. Aqueles que lá estão. De casa. Do meu quarto e da minha cama. Dos gatos rafeiros que já têm mais dois bebés. Ainda não os vi. Segundo a minha mother, um é preto e outro é malhado. Devem ser uns rebeldes. Aqui a gata princesa, que só fica em casa, nem os vai conhecer. Tenho saudades da minha avó. De me adorar e de me odiar. Dos gritos dela. Dos meus. Dos dela. Dos meus. É difícil saber quem ganha a guerra de palavras entre nós as duas. Já está tudo preparado para ir embora. Quase tudo. Ainda vou dar uma limpeza à casa para depois estar quase três meses sem ser ocupada. Não me julguem. Precisava de uma mala maior para levar tanta tralha. Só assim é que percebo que não uso metade da roupa que tenho. E estou sempre a precisar de roupa nova. Ai, pois, que fútil. So what. Nunca sei se devo cá deixar os casacos. Irei precisar deles? E as botas? Para quê? Que estúpida. Já andei de botas no verão. Tempos demasiado darkside em que sandálias eram para meninas. Embora eu fosse uma. Que saudades das minhas extensões cor-de-rosa. Ou não. Se estão na mesma situação que eu, sabem que o frigorífico deve ficar desligado. Assim como a água e a luz. Mas há sempre comida lá dentro. E não a queremos estragar, certo? Ou andamos uma semana a comer tudo à lambão. Ou não compramos nem mais uma fatia de fiambre porque sabemos que vamos embora. Ou armamo-nos em banco alimentar e despejamos a comida em cima dos nossos amigos. Como o Joãozinho me vai ajudar a levar a mala e a gata até à estação, já sabe que lhe vão calhar na rifa espinafres e polpa de tomate. Entre outras coisas. Vou pagar 7€ para levar a gata no autocarro. Tenho mesmo que comentar isto? Aí vem o velho do restelo dizer "vocês não querem é pagar nada". Pois não. Quando 50% do bus vai vazio, adorava não ter que pagar um lugar à minha gata de 2kg. Obrigada. Já para não falar do aumento em 3€ do bilhete ao longo de dois anos. Já nem o cartão de estudante me safa. Amo-te país. Como não pretendo ficar sem internet ao passar no meio da montanha, já vou carregada de episódios de Orange is The New Black. E assim se faz mais uma viagem rumo a casa.

domingo, 10 de maio de 2015

Ir embora

Já se acabaram as mini-férias. Falta um mês para o fim do semestre. É tempo de dar o litro (ainda mais). E agora, é hora de sair da terrinha e voltar para o Porto. Falta pouco para me enfiar no autocarro e passar três horas altamente divertidas. Tento sempre ir embora o mais tarde possível. Mas, ou vou às cinco da tarde e o bus é directo ou, então, vou às seis e meia e o bus pára em todo o lado. É uma escolha difícil! Mas hoje decidi ir mais cedo. Anoitece mais tarde e ainda tenho tempo de chegar a casa e arrumar a tralha toda. Uma coisa que me irrita profundamente é, quando o autocarro tem, supostamente, wi-fi e depois...não tem ou não dá. Como não me apetece chegar lá e passar o tempo a apreciar uma paisagem que já conheço de uma ponta à outra, hoje já me precavi. Já fiz download de algumas séries. Agora resta esperar que a bateria do computador resista. Acho que é a primeira vez que faço isto. Costumo ver séries online portanto fiquei como uma burra a olhar para um palácio quando me deparei com os links de download. Parece que não sou deste século, eu sei. Mas não sou mesmo. Sou do anterior. Apesar de, nestes casos, ser bastante dependente deste bicho. Adorava conseguir ler nas viagens. Já tentei imensas vezes mas fico sempre enjoada. Ouvir música também não é uma opção porque começo a divagar muito na mayonnaise. A ir para sítios que já não quero ir. Talvez seja por usar os phones e sentir algumas coisas mais perto. Manias, vá. Música, fora dos ouvidos e bem alta! Conversar?Também não. Vou sozinha. E quem me dera ir sozinha mesmo, sem ninguém sentado ao meu lado. Não me levem a mal, mas odeio que se sentem ao meu lado. Sinto que estão a invadir um espaço que também não é meu. Contudo, o mais importante é que a viagem corra bem e que a semana seja magnífica! No próximo fim-de-semana, estarei de volta a casa, a casa mesmo!


segunda-feira, 6 de abril de 2015

Fazer a mala

Não tenho bem a certeza se gosto ou odeio fazer malas. Tudo depende do destino. Se a vontade de ir for muita, então a minha mala de viagem já foi pensada e repensada várias vezes e, na noite anterior à partida está pronta. Se não me apetecer muito ir, sabe-se lá para onde, confesso que a mala também estará pronta a tempo. Pode até ser feita na última hora mas sei que vai estar igualmente organizada. Sei sempre o que quero e preciso levar. A organização ataca-me muitas vezes.
A minha mala está, normalmente, dividida da seguinte maneira: "montinho" das calças, calções e saias; "montinho" das camisolas; "montinho" dos vestidos; "montinho" da roupa interior (às vezes, as meias gostam de ir espalhadas pela mala para aproveitar espaços mortos). Por cima disso tudo, costumam ir os casacos, dobrados de todas as maneiras possíveis. Ah, esqueci-me! O calçado é, muitas vezes, a cereja no topo do bolo. Não é, de todo, a melhor parte. Mas quando me apercebo que vou ter que andar calçada, já os montinhos estão todos aconchegados. O que me irrita profundamente é fazer mala quando ainda não tomei banho. Ou seja, vou ter que deixar sempre um espaço para o necessaire. Odeio ver a mala aberta, no meio do quarto, à espera dos cremes e das escovas para poder ser fechada. Até me dá pena vê-la ali a desesperar. O pior é quando decido "afinal já não vou hoje". E puxa camisola daqui, cueca dali, o cinto que ficou no meio dos vestidos e uns collants que ficaram esticados por baixo dos montinhos todos. Já para não falar dos acessórios de "última hora". Carregadores, livros, máquinas fotográficas, cadernos vão, literalmente, onde couberem. Rabo sentado na mala, fecha aqui, fecha ali e no meio. Já está. Trancada. Sim. Com código. Sim. Não. Ai, depois não me lembro. Sim.
De qualquer maneira, por mais organizado que se seja, fazer a mala é uma aventura confusa. Uma amostra do momento menos emocionante de ir embora...Isto quando há, sequer, emoção. Porque se não nos apetecer, nada, nada, nada, nada, nada, ir embora...então não vamos, não é ? Não, não pode ser.