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domingo, 7 de junho de 2015

Xixi de canto

Cheiros. O meu nariz sofre de sensibilidade extrema. O meu olfacto nunca me obedece. Obriga-me a cheirar coisas que não quero cheirar. Ainda o cheiro está a duzentos metros e eu já estou com moléculas odoríferas alapadas nas narinas. Nem os pêlos me conseguem ajudar. Se se tratar de um odor primaveril e intenso, segue-se um sequência de "atchins". Os olhos lacrimejam, o ranho aumenta e os lenços de papel diminuem. Caso de trate de odores nojentos e repugnantes, nem a boca/garganta se salva. Tapar o nariz não acalma a vontade de vomitar. O que não é, de todo, a melhor solução. Mais cheiro?Não, por favor. Assim sendo, declaro guerra às mil e quinhentas árvores com florzinhas cintilantes, às oliveiras, às flores giras nos canteiros, aos perfumes insuportáveis nos elevadores, aos cremes de corpo que deixam rasto, aos sprays, ao fumo de lareira, ao fumo de tabaco e ao ar condicionado. Declaro guerra ao cocó de cão no chão, às ervas daninhas mijadas, ao cheiro não tomo banho há anos no metro, às wc's públicas, aos restaurantes que só cozinham peixe frito e sobretudo, sobre mesmo tudo, ao xixi de canto com graffiti do símbolo da anarquia.

É dos cheiros mais reconhecidos na minha base de dados. Há, em todas as cidades, vilas e aldeias, um canto assim. Um canto, uma esquina, uma linha onde dois planos decidiram intersectar-se, que cheira a mijo. Podemos facilmente imaginar um ser humano a marcar, ali, o seu território. O xixi de canto não escolhe sexos. Pode ser um homem, com o bicho de fora. Este tem, normalmente, uma mão apoiada na parede. A outra, usa-a para fazer desenhos com o seu líquido divino. Pode ser uma mulher, com o rabo ao léu. Esta encharca, normalmente, os pés com mijo. Se tiver vestido calças ou collants, a tarefa complica-se. O equilíbrio é posto à prova. Pés bem assentes enquanto as mãos repuxam tudo o que é tecido. Mas calma. Vamos continuar com a minha teoria. Depois desta descrição visual, falemos de símbolos. Os cantos podem ter variadíssimas tags, rabiscos ou amoteh pipa 25/02/2010. Mas aquilo que mais têm, em quantidade, são os "ás" revoltados da anarquia. Imaginem o cenário bélico: mijada expressiva que desliza pela parede e escorre pelo chão, símbolo mal ou bem feito da anarquia, uma ou duas ervas daninhas daquelas que cheiram mal e, finalmente, o conhecido fuck the system. Acaba por se revelar algo bastante poético. Um manifesto. Um acto de revolta. Um vou mijar na vossa cara. Um poema visual que vive do nojo. Quando vos cheirar a xixi de canto, reparem se algum pseudo anarquista ali passou. E já agora, não pratiquem o xixi de canto mesmo que a anarquia seja a ordem!


sábado, 6 de junho de 2015

Sabonetes Ach Brito

A Ach Brito é uma empresa portuguesa que fabrica sabonetes. Apresenta uma grande variedade, tanto nas fragrâncias como no design dos invólucros. Sou fanática por sabonetes. E estes estão de acordo com as minhas exigências: 1. cheirar bem; 2. ser bonito. Tenho uma pequena colecção de sabonetes da A.B (e da Confiança, também). Estão dispostos em prateleiras, felizes por serem apenas decoração. Nunca os utilizei. Não os quero estragar, sei lá. Até podia guardar apenas a embalagem. Mas não é a mesma coisa. Perdia a alma, o volume e o cheiro. Existem várias linhas de produtos. Do mesmo modo, existem preços para várias carteiras. Podem ser encontrados na loja da fábrica em Vila do Conde, em drogarias, hipermercados ou outras lojas. A Vida Portuguesa tem, praticamente, todas as colecções.














Contudo, uso regularmente a linha Cuidados Essenciais. O preço é bastante acessível (cerca de 1.10€ cada um) e os resultados cumprem o objectivo. Há seis diferentes e cada um desempenha a sua função. Eles são:
  • Leite de Cabra - o leite de cabra é conhecido pela sua eficácia relativamente ao melhoramento da pele. É um excelente hidratante e adequado a todos os tipos de pele.
  • Própolis - tem propriedades fungicidas que actuam na pele oleosa, ajuda a purificar os poros e a diminuir o acne.
  • Aloé Vera - é destinado à pele sensível pois regenera e cicatriza, ao mesmo tempo que hidrata.
  • Alcatrão - é um óptimo regenerador portanto é indicado para as descamações da pele. Pode ser utilizado no cabelo, para cuidar do couro cabeludo e intensificar os fios.
  • Pedra Pomes - é produzido a partir da mistura do óleo de côco com pedra pomes em pó. Além de ajudar com as calosidades, é um bom esfoliante.
  • Leite de Amêndoa -  é o mais hidratante devido ao óleo de amêndoas. É ideal para lavar o rosto pois deixa a pele bastante suave.

Devo dizer que já experimentei todos. Actualmente, estou apenas a usar o de Pedra Pomes e o de Leite de Amêndoas. O primeiro uso, semanalmente, como esfoliante para o rosto. Se quiserem experimentar, não andem lá a esfregar o sabonete à maluca. Tem uma textura idêntica à pedra pomes e pode irritar a pele se formos muito agressivos. Basta passar na superfície, fazendo apenas um pouco de pressão. Caso se magoem, apliquem com os dedos. Digo-vos que a pele fica realmente limpa. Consigo ver os poros livres de porcaria. Também costumo passar nas pernas, antes de fazer a depilação. O segundo uso para lavar a cara de manhã e à noite, antes do tónico e do creme hidratante. Além de cheirar super bem, a pele fica com aspecto de rabinho de bebé. Vou variando com o de leite de cabra, que tem efeitos semelhantes. Todos eles são alternativas a outros produtos mais prejudiciais. E então, usam ou já usaram algum?

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A T-shirt é a Lenda


Há uns tempos comprei esta t-shirt numa feira. Despertou-me o interesse por estar sempre a precisar de camisolas curtas para andar com os calções, calças e saias de cinta subida. Como não gosto de andar com "as fraldas enfiadas", convém que o limite da parte de cima encaixe, harmoniosamente, com a de baixo. Sou daquelas pessoas incapazes de usar roupa com frases quando não sei o que significam. Ou quando não fazem sentido, de todo. Só para terem a noção do meu ódio, vou-vos contar um pequeno episódio. Certo dia, vejo, a um colega meu, uma t-shirt dos Incubus. Apesar de não gostar muito dele, perguntei, entusiasmada: gostas deles?? Ao que a criatura me responde: de quem?é uma banda? Ai senhor do paraíso da música, ia-me dando um ataque. Continuando. Quando cheguei a casa, googlei o que estava escrito na minha nova aquisição. Fiquei surpreendida e alarguei a minha cultura geral. Curiosos?

Waianapanapa é uma gruta situada na ilha Maui, a segunda maior do Havai. Serviu de cenário para um trágico acontecimento na região. Reza a lenda que uma princesa havaiana chamada Popoalaea fugiu do seu marido. O terrível Chefe Kakae. Este decidiu alimentar a desconfiança e acusou a mulher de traição. Desesperada, fugiu e escondeu-se numa das entradas da gruta. O que é que o Kakae fez quando a encontrou?Matou-a, claro. E a água pintou-se de vermelho com o sangue da princesa. Durante o ano, há alturas em que a água se enche de pequenos camarões, formando uma grande massa encarnada. Há quem diga que é uma lembrança da morte cruel de Popoalaea. Claro que isto me fez logo lembrar da tragédia de Inês na Quinta das Lágrimas, em Coimbra. Muito sofreram as princesas. E continuam a sofrer. Mortas pelo príncipe encantado. Mortas por nada. Mortas para nada.  Mortas e depois ninguém. Lendas. Talvez o seu sangue seja também o nosso.
Gruta Waianapanapa - Hana, Maui
Praia da areia negra - Maui
Claro que as lendas servem sempre para explicar fenómenos que, humanamente, não somos capazes de explicar. Mas não faz mal. Porquê? Porque essa ignorância cria histórias fantásticas. Histórias que adoramos contar aos outros. Que passam de geração em geração. As lendas prolongam e estimulam a nossa imaginação. É uma escolha de cada um acreditar ou não. Além disso, a ilha de Maui parece-me um destino perfeito para passar férias longe deste ruído todo. Para relaxar e criar lendas com alguém. Eu já a trago ao peito.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

O lixo de Vik Muniz

Vik Muniz é um artista plástico brasileiro. A sua obra tem-me interessado por mil e uma razões. Como não tenho tempo para as apontar, aqui fica alguma informação. Aconselho vivamente o documentário Waste Land (2010). Fala-nos do desperdício moderno. Da enorme quantidade de lixo que produzimos. O Vik decidiu começar este projecto ao acompanhar os catadores de lixo, uma realidade infeliz no Brasil. Mostra-nos o seu desespero e frustrações. Mas também os eleva aos céus. São, obviamente, dignos de importância e atenção. À medida que vamos percorrendo as lixeiras e quase sentindo o cheiro, vamos percebendo que nem tudo é lixo. Os catadores serviram de inspiração para criar verdadeiras obras de arte. São efémeras mas salvas para sempre por um momento fotográfico. Aquilo que o Vik fez foi acumular toda a tralha, lixo, matérias e materiais para produzir uma imagem de grande escala, que é perceptível vista de cima. As referências podem passar por fotografias, pinturas ou cenários improvisados. É um exemplo que demonstra que a arte anda de mãos dadas com a vida. Fazem parte uma da outra. Odeio quem adora separá-las. O lixo transforma-se em ouro. E, mesmo continuando a ser eterno, é eternizado. Deixo-vos aqui alguns exemplos do seu trabalho.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Não estou a matar ninguém


Hoje vou passar grande parte do dia a editar som para um projecto da faculdade. Quem me tem acompanhado, já deve ter percebido que até sou uma rapariga fofinha. Mas também tenho alguns parafusos a menos. Se adoro ver vídeos de gatinhos no youtube, também adoro berros, gemidos e afins. Uma das coisas que me dá gozo (e faz parte do meu trabalho) é criar sons. E, desta vez, os sons passam por tudo aquilo que é mórbido, aterrorizante, inquietante e abafador. Não é a primeira vez que o faço. Por algum motivo, os meus projectos vão sempre dar aí. Tenho o cérebro perturbado. Mas adoro! Estou a fazer um mini filme abstracto onde a maior parte das imagens são found footage. Como tenho imagens harmoniosas, decidi contrastar o visual com o auditivo. É algo que funciona muito bem. Atribuir novos sentidos às coisas, às imagens. Se tenho um casal a beijar-se numa paisagem de flores, então vou fazê-los sangrar dos ouvidos com gritos intensos de dor. Acreditem, não é estranho. Basta saber que, se lhes acoplarmos um canto de passarinhos, o casal aparenta ser feliz. E não é isso que queremos. São contrastes levados aos extremo. 

Sabemos que os sons dos filmes são criados para nos guiar. Para nos levar ao caminho exacto das nossas emoções. Eles sabem como fazer-nos sentir. Mas se estamos a ver uma laranja e a ouvir o som de um relógio, não bate a bota com a perdigota. Mas pode bater. É aqui que entra o nosso lado crítico. Agora já ninguém nos conduz. Vamos sozinhos e muitas vezes não queremos dar um passo à frente. Muitas vezes, não sabemos o que sentir porque ninguém nos pediu (obrigou) para sentir. Há que saber estimular as emoções. Há que saber prolongar o pensamento para onde nunca se atreveu a ir. Deixem-no ir. Não precisamos de ciências exactas a toda a hora. É isso que faço ao trabalhar com som. Deixo-me ir, mesmo que saiba o que estou a fazer. Portanto, hoje a minha casa vai vibrar com sons literalmente horríveis. A probabilidade de algum vizinho estar a ler isto é inferior a zero. Mas fica o aviso. Afinal, qual é o mal? Não sou eu que às duas da manhã tenho o "teru" das notificações do facebook nas alturas. Nem sou eu que arrasto cadeiras de madrugada como se de uma fantasia sexual se tratasse. Ah, e também não sou eu que dou um berro às oito da manhã para que o outro vizinho, que decidiu usar um berbequim, se cale. Só vantagens. Só perdoo o choro do bebé e o miar do gato.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Jon Snow knows nothing


Por favor, aturem-me. Precisava mesmo de falar sobre isto. Ou escrever para depois não me esquecer. Sou apaixonada pela personagem do Jon Snow, de Game of Thrones. Há qualquer coisa ali que me prende e faz temer pela vida...dele. Não pensem que sou fanática pelo actor e que se me aparecesse, agora, aqui à frente me ajoelhava e beijava o chão para ele passar. Nada disso. Eu gosto é do Snow, misterioso, ingénuo e conhecedor de tudo, afinal. Talvez o adore por se tornar um cliché. Ou seja, ele é o bonzinho, apelidado de bastardo, lá nos confins do mundo onde tudo é preto e branco. O virgem que faz amor com a selvagem na caverna. Mas, depois, é muito mais que isso. O facto de ter estado isolado daqueles que se andaram a esganiçar uns aos outros, permitiu-lhe desenvolver a sua força. A física, melhorou-a. A emocional, moldou-a. No meio de tanta gente na série, acaba por ser um dos que mais se destaca. Já demonstrou ser capaz de liderar e de usar a inteligência, humildade e justiça a seu favor. Contrariou a frase preferida da Ygritte: you know nothing Jon Snow. Mas, afinal sabe. Apesar de eu continuar a achar que esse know nothing está destinado a segredos maiores. Que mesmo sendo uma bastardo, não é um bastardo de quem é. Confuso?

Se não viram o episódio de ontem e não querem saber nada, parem de ler. Vou spoilar imenso. Depois de sete episódios um pouco aborrecidos mas com algumas pistas do que poderá acontecer no futuro, aparece-nos este oitavo. Onde mais uma vez o Snow é posto à prova. Na tentativa de aliar os Selvagens aos Corvos, o Jon (tratamo-nos assim) decide ir ter com os primeiros para os convencer. Promete-lhes segurança e terrenos em troca da sua lealdade. Lutarem, ao lado dele, contra os White Walkers. Claro que nem todos optam por seguir o seu caminho. Aqueles que disseram que sim, começaram por partir, em barcos. Quando, tcharan, os cães começam a dar sinal de algo. Lá estão eles, os White Walkers, prontos para vos dar cabo da raça. E pronto, fica tudo maluco. Em correrias, aos berros, etc. Parece-me que agora os selvagens já querem sair todos dali. Se costumam ver, sabem que o vidro de dragão é a única coisa capaz de matar os WW. O Jon armou-se em valente mais uma vez e decidiu enfrentá-los. Correu para dentro de uma cabana, na tentativa de encontrar uma adaga de vidro de dragão (que tinham levado para mostrar aos selvagens). Lá dentro, estava um giro tétrico de olhos azuis, pronto a matá-lo. Cambalhotas para aqui, cambalhotas para ali. O Jon falhou. Contudo, ainda foi capaz de agarrar na sua espada. Não custava nada defender-se com ela, embora fosse inútil para matar o walker. Mas não foi. Para grande admiração do Jon (e minha), a espada, outrora oferecida e adaptada por Jeor Mormont, foi suficiente para acabar com ele. O white walker desfez-se em . Resta-nos saber se todas as espadas feitas de aço Valiriano os destroem, tal como o vidro de dragão. Ou se têm mais algum segredo adjacente na sua criação. Também nos resta esperar para saber se o Jon vai tirar proveito disso. Sim, porque tem que se pôr fino. O clã dos walkers está desejoso por vê-lo morto. A ele, aos Selvagens e aos Corvos. E a toda a gente. A nós também. opiniões, sentimentos e bitaites de quem não leu os livros e só vê a série pela série, como se mais nada existisse

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Dia da Criança



Como devem imaginar, não sou uma criança. Em idade. Porque dentro deste corpo que não deve muito à altura, vive um mirtilo infantil que lateja de vez em quando. Neste dia, dedicado às crianças em tantos países, podia ter escolhido escrever acerca de algo sério. Mostrar-vos a minha frustração com o mundo. Que há situações monstruosas que me chocam. Que nenhuma criança devia ser exposta a tanto sofrimento. Ou então falar-vos da desvalorização da educação, hoje em dia. Deixar-vos bem claro que sou a favor de umas boas nalgadas no rabo quando é preciso. Eu levei-as e estou aqui, muito bem. Contudo, hoje não estou inclinada para a tristeza. Não vou fazer nada disso. Decidi fazer uma viagem ao passado e recolher uma série de tralhice que me entusiasmava enquanto little human. Alguma da bonecada que me acompanhou até à pré-adolescência, que não sei quando foi nem me importa. Não consegui reunir tudo o que queria. Talvez volte a fazer um post deste género. Fico sempre toda emocionada a pensar ai eu tinha isto, ai eu gostava daquilo. Tenho a certeza que muita gente se irá identificar. E não, nunca vi a acção nº 100 do Eddie.