Páginas

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Ilustração | Stanley Chow


Stanley Chow é um ilustrador inglês. Começou por trabalhar como ilustrador na área da moda. Mais tarde, começou a revelar a sua paixão por caricaturas. É, hoje, um dos mais conceituados ilustradores no Reino Unido. O seu trabalho envolve desenho vectorial. Usa-o como meio para caricaturar celebridades ou personagens. Com a imagem fixa na sua cabeça, começa a acentuar os traços mais evidentes de cada pessoa. O objectivo é retratá-las com o menor número de linhas e formas. Se necessário, adiciona outros elementos para que a imagem, no seu todo, se assemelhe a um cartaz. Se antes sentia necessidade de desenhar à mão aquilo que pretendia, hoje em dia já ultrapassou essa fase. As suas caricaturas são criadas, maioritariamente, no Adobe Illustrator (programa que uso e quem me dera ter o poder que ele tem haha). Espero que gostem da seleção que fiz e reconheçam algumas das caras que estamos habituados a ver na...tv? No PC, pronto. Para sermos mais tecnológicos e reais.

 Inception | Dexter
 Amy Winehouse | David Bowie
 Daenerys | Tyrion
 Stanley Kubrick | Blondie
 Superman | John & Jackie Kennedy
Led Zeppelin | Mad Men

sábado, 13 de junho de 2015

Pessoas sem cara

René Magritte The Pilgrim 1967
Costuma-se dizer que a nossa cara é o nosso cartão de visita. Aceito isso até um certo ponto. Não podemos julgar ninguém por nos julgar num primeiro momento. O nosso rosto é, de facto, a primeira informação que as pessoas guardam. Examinam-nos ao pormenor antes de abrirmos a boca. Podemos passar no teste. Podemos chumbar. E isso deve-se apenas à nossa aparência. As pessoas decidem se querem gostar de nós. Ou não. Se esse factor começar a roçar o preconceito, então esqueçam. Então já não concordo com nada disso. Acredito que o poder da palavra seja bem maior que uma cara feia ou bonita. As relações vão-se desenvolvendo. E, se forem humanas e verdadeiras, haverá um momento em que não importa se somos o antes ou o depois da Fiona. Aquilo que somos despidos de roupa e pele acaba por ser a única coisa que guia os outros.  Isto resulta muito bem com as amizades. Quem quer amigos não os deseja assim ou assado. Penso eu. Até porque um amigo, mais cedo ou mais tarde, nos vai dizer coisas horríveis acerca do nosso aspecto. Se o nosso orgulho não for cocó, vamos adorar sabê-las. Mas não vou ser hipócrita. Acho que isso não funciona quando estamos, supostamente, apaixonados por alguém que não conhecemos. Não acho que seja, de todo, fútil dizer que começamos a gostar de alguém porque é bonito. Esse bonito é o nosso bonito. Não é uma lei universal. Nunca será. Quem feio ama, bonito o acha. É o que a minha avó costuma dizer. Não falo daqueles casos em que as pessoas se conhecem há séculos e descobrem que se amam. Isso não tem nada a ver com beleza. Falo de mim, por exemplo. Que não conhecia o meu futuro namorado. Se não o achasse o pedaço de xixa mais belo do universo, nunca teria falado com ele. Tive sorte. O lado de dentro revelou-se igual ao de fora. Ou melhor. Irritam-me as pessoas que não conseguem admitir uma coisa tão simples como um estímulo. Chemistry works.

Mas já me perdi. Não era sobre isso que queria falar. Queria falar da minha experiência em relação a alguns blogs. Não devo ser a única que, quando entra num blog faceless (como o meu), se põe a imaginar como será a pessoa que vive na sombra de tantas palavras. Acho fascinante pôr a nossa imaginação à prova. Começar a criar essas pessoas na nossa mente apenas pelas pequenas pistas que nos vão dando. O que veste, o que come, o que gosta, o que sente, etc. Acaba por ser um jogo onde somos obrigados a criar personagens. Só que estas são reais. Somos, por natureza, seres curiosos. Portanto vivemos na expectativa de lhes conhecer o rosto. Mas não é, no meu caso, para poder elevar aos céus ou criticar como um diabo a pessoa em questão. Longe disso. Serve apenas como comparação entre aquilo que imaginamos e aquilo que existe e é real. As pessoas sem cara não são apenas as que vivem enterradas em segredos e frustrações. As pessoas sem cara são, muitas vezes, pessoas cansadas de a ter. Ou, contrariamente, pessoas que a desejam ter. As pessoas sem cara podem, um dia, desenhar uma.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Sapatos Masaya Kushino

Os sapatos podem ser o amor da vida de muita gente. Para outros, os sapatos cumprem apenas o seu lado útil. Se conseguíssemos aliar esses dois lados cada vez que compramos calçado, não tinhamos tantas desilusões. Quem é que nunca comprou os sapatos mais lindos do mundo e nunca conseguiu andar com eles? Continuam lá na sapateira à espera de nada. Por outro lado, há aqueles sapatos (sandálias, botas, etc.) que já atingiram a terceira idade e continuam a ser usados. Gostámos tanto deles que somos incapazes de os abandonar. Dá-los seria uma vergonha. Atirar com eles ao lixo?Nem pensar. O valor sentimental já atingiu proporções sem medida. Eu, por exemplo, tenho as minhas "botas da tropa" há anos. As novas não conseguiram ocupar-lhe o lugar. Trazem consigo o maior das confortos. Não as consigo trair. Claro que para isto acontecer, aquilo que compramos deve ter alguma (muita) qualidade. Enfim. É neste contexto que vos trago algumas das criações do designer de calçado Masaya Kushino. Não. Jamais usaria os sapatos que cria. Primeiro, o meu nível de excentricidade é baixo. Segundo, o meu equilíbrio também não é muito bom. Terceiro, não tenho dinheiro. Portanto, quero que olhem para eles como se fossem obras de arte. Porque é assim que os considero. Há uma fusão entre sapatos e arte. Olho para eles e já não vejo sapatos. Vejo outro objecto. Outra vida. E várias personagens.



quinta-feira, 11 de junho de 2015

A Young Doctor's Notebook

Sabem quando começam a ver uma série porque apareceu numa miniatura no site pirata preferido?E foi mesmo naquele momento em que não havia nada para fazer? Foi assim que descobri a série A Young Doctor's Notebook. Feliz e estranhamente juntou Daniel Radcliffe (Harry Potter) e Jon Hamm (Mad Men). São, respectivamente, a versão jovem e a versão mais velha da mesma pessoa. De um médico. Estamos na Rússia e assistimos à vida destes dois homens, que são só um. Viajamos entre 1917 e 1934. Não lhe sabemos o nome nem sabemos o porquê de ter ido, depois de terminar o curso de medicina em Moscovo, para um hospital no meio do nada. Lá encontra apenas duas enfermeiras e um funcionário. Os poucos doentes que atendem, vivem na ilusão de que todas as doenças se tratam com uma simples gota de...algo. O jovem médico terá que testar, na prática, todos os seus conhecimentos. E vai aprender que nem tudo se encontra em enciclopédias e livros. Claro que tudo isto é uma viagem ao passado. Porque nós nos encontramos em 1934, ao lado do seu "eu" mais velho. Um "eu" que revive as experiências anteriores com algum arrependimento. Isto porque foi lá atrás que começou a usar morfina. Este opioide que faz parte de um mundo desesperante. Um vício. E andamos de cá para lá e vice versa na tentativa de entender melhor as suas escolhas. É fácil chegarmos a algumas conclusões quando assistimos aos diversos episódios que aconteceram no hospital no cu de judas. Dou razão aos Mundo Cão quando cantam, na sua música Morfina: (...) que me faça vir na graça do seu picar. Realmente, a morfina alivia a dor física. A emocional também mas depois vira-se contra ela, com o objectivo de a acentuar.

Embora retrate a tragédia russa da época, armando-se de momentos históricos, a série também tem uma enorme dose de comédia. Negra, claro. É fantástico assistir aos momentos "e agora faço o quê?" de um promissor jovem médico. Além disso, faz-nos sentir a dualidade que existe entre "nós" e o "nós" futuro. As conversas que daí resultam. A oposição de duas idades que ora se ajudam, ora se censuram. O abuso de morfina faz-nos perceber o isolamento, o desespero e a falta de autocontrole. São oito episódios que nos cansam por uma boa razão. Que quase nos deixam com os olhos vermelhos, as olheiras roxas e a cara pálida. Como eles. Ou seja, como ele.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Ode ao Joãozinho

Toulouse-Lautrec A la Mie 1891


Ao meu amigo Jony,

Eu e o Joãozinho fomos a um concerto do David Guetta há uns tempos e...gostámos. E temos vergonha de dizer que gostámos porque somos duas bestas que não querem admitir que se tornou um guilty pleasure. O Joãozinho esqueceu-se do compasso em casa no dia do exame de geometria. O Joãozinho já limpou vomitado meu das sapatilhas. O Joãozinho tinha um segredo e contou-mo. Assim como fez com todos os outros segredos. Se as pessoas ouvissem as nossas conversas, declaravam-nos doentes mentais. Se os tempos fossem outros, íamos directos para a fogueira. O Joãozinho andava sozinho. Sentou-se ao meu lado. Eu sentei-me ao lado dele mas, na aula seguinte, fui para a frente. O Joãozinho não tinha barba. Sentia-se triste. Agora exibe-a. O Joãozinho perdeu o inho. O João foi os meus olhos. Foi o meu magusto sem castanhas. Foi uma tela em branco que ajudei a pintar. Se foi uma escultura, o mérito é dele. O João tinha frio e aquecia as mãos no aquecedor. Comigo. O João foi o meu único fantasma que me aturou quando todos os fantasmas estavam longe. O João parecia um zombie pela manhã. Eu também. O João tinha umas calças de bombazine castanhas...e não se lembra. O João quase foi cientista mas agora é artista. O João e eu criámos um dicionário. Uma língua só nossa. Códigos indecifráveis que ainda hoje usamos. O João caiu da falésia. Voltou. Ajudei a curá-lo. Que remédio. O João soltou-se. Ainda bem. Eu e o João ficávamos sentados, em qualquer lado, horas e horas. O João, há dois dias, disse-me: Às vezes, era só preciso estarmos ali, juntos, a ver o mundo passar, mas cagámos em tudo, construimo-nos. Não havia ninguém no mundo mais tímido que nós. Mas também não havia ninguém mais forte, mais corajoso, mais bota prá frente. Eu, o João e as outras cabras andávamos quase 1km para ter quarenta e cinco minutos de educação física. Parávamos no hospital para beber leite. Nem vou explicar. Chegávamos ao ginásio. Era podre e com cheiro a madeira, cheiro a suor. E depois insultos trocados entre todos. Imaginem-me a mim e ao João a jogar futebol. Não. Não era bonito de se ver. O João e eu comíamos na cantina. Caso contrário, o almoço seria pizza no tasco ou panike no quiosque. O João foi ingrato. Eu desculpei-o. Escreveu-me uma carta. Tão pirosa. O Joãozinho, o João, o João Turma, o João R. , o João Ferrão e o Jony 91 são apenas uma pessoa. Uma daquelas que eu mais gosto no planeta. Embora nós tenhamos um planeta só nosso. Eu e o João somos como aqueles casais que já não fazem sexo. Já nada nos surpreende. Nada nos espanta. Nada nos atinge. Contamos tudo um ao outro. Tudo, nem que demore algum tempo. E sem papas na língua. Não há meias conversas. Ou é ou não é. Continuamos a fazer asneiras. A voltar a fazer asneiras. Há sempre aceitação. Nunca nos vão ver a apontar o dedo um ao outro. É uma amizade livre de julgamentos. Tudo é permitido. Só não vale ter arrependimentos.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Medos Irracionais

Todos temos medo de alguma coisa. Esses medos ou receios podem resultar de traumas, memórias, histórias, etc. Mas também podem ser simplesmente irracionais. Podem ser reacções a estímulos. Podem ser fruto de uma imaginação fértil. Podem ser pensamentos vazios que se preenchem com imagens terríveis. Os medos podem ser concretos. Reais. Ou podem não existir em estado físico. Vivem na nossa mente e, de vez em quando, lembram-se de nos chatear. Eu tenho medo a algumas coisas. Fico tão perturbada que me esqueço da minha existência. Transformo-me num bicho assustado e inconsciente. Aqui ficam alguns dos meus maiores medos. Se partilharem algum, avisem-me!

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Reign Outfits

Há uns tempos fiz um post sobre os vestidos maravilhosos que fazem parte do guarda-roupa da série Reign (ver aqui). Como já tinha referido, adoro o modo como modernizaram e alteraram a roupa renascentista.Deram-lhes novos cortes, amenizaram os volumes e abusaram de todo o tipo de acessórios. Acessórios estes que temos vindo a usar recorrentemente. Como adoro a série e matava para ter alguns dos vestidos (ou todos), decidi ir à procura de peças que me ajudassem a criar alguns outfits inspirados nas ladies. Além disso, foi também uma tentativa de animar a minha amiga Citrina, que também gosta de Reign. Anda muito em baixo e precisa de ser elevada e inspirada para voltar a sonhar! Por enquanto, basta-me o vislumbre de me imaginar assim pois não sei em que ocasiões usaria estes conjuntos. Se tiverem alguma ideia, digam-me! Pode ser que um dia combinemos uma festa temática!Espero que se encantem por este reino.