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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Quarto

Actualmente tenho dois quartos. Um no Porto e outro em casa. Como não posso mudar muita coisa numa casa alugada (e nem vale a pena), decidi começar a fazer algumas alterações no meu (meu mesmo) quarto. Desde os catorze anos que tenho três paredes pintadas de roxo clarinho e uma de roxo escuro. O mobiliário é branco e o resto da decoração anda pelos roxos, cinzas, brancos e muito preto. Foi o meu sonho adolescente. Onde passei tantas horas, como se estivesse na batcave. Onde o ambiente cheira a incenso de marijuana (que cheira a flores) e se propaga pelo resto da casa. Durmo em qualquer lado. Mas, ali, é onde durmo melhor. Quarto, doce quarto. Mas já são muitos anos com aquela cara. Por enquanto, mudei apenas a disposição. Pretendo manter a cama, estante de cubos e alguns (muitos) objectos. Também vou recuperar uma secretária antiga, com patas trabalhadas e puxadores vintage. De resto, quero branco nas paredes. Cinza apenas numa parte, talvez. E mudar os outros móveis. Espero conseguir levar este projecto para a frente durante o Verão. Implica algum investimento da minha parte mas devagar se vai ao longe! Partilho aqui algumas coisas que me têm enchido o olho. Estou a pensar trabalhar com estas cores. Se tiverem alguma sugestão, estejam à vontade!

Velas IKEA 4.99€ | Almofada H&M 9.99€ | Cómoda IKEA 49.90€ | Almofada IKEA 7.99€ | Almofada A Loja do Gato Preto 19.95€ | Moldura Tiger 3€ | Caixa Kasa 2.25€ | Candeeiro IKEA 9.99€ | Almofada Kasa 6€ | Mesa de cabeceira IKEA 29.99€ | Manta H&M 29.99€ | Velas IKEA 4.99€ | Lanterna IKEA 7.99€ | Puxadores H&M 4.99€ | Quadro IKEA 9.99€








terça-feira, 12 de maio de 2015

Brinco de Pérola

Hoje venho falar de várias coisas acerca da mesma coisa. Estudei História da Arte durante quatro anos. No secundário, é ensinada tendo em conta uma linha temporal de períodos históricos e estilos artísticos. Discordo desse método de ensino mas isso agora não importa para nada. Quando comecei a estudar, intensivamente, o estilo Barroco (séc. XVII), deparei-me com a obra do pintor holandês Johannes Vermeer. Faz parte dos nomes mais importantes dessa época, ao lado de Rembrandt. Principalmente por ambos terem testemunhado o florescimento cultural da Holanda. Uma das principais obras de Vermeer é Rapariga com Brinco de Pérola (1665). Destaca-se o fabuloso tratamento da luz. Criou-se um enorme mistério à volta deste quadro e da rapariga nele retratada, o que tem servido de inspiração para a ficção em várias áreas.


Tracy Chevalier escreveu um livro intitulado Rapariga com Brinco de Pérola (1999). Inspirada pelo quadro, desenvolveu uma história onde envolve a rapariga com o pintor. Foi capaz de criar uma história para além da pintura. Tentou ver além dos pigmentos e inseriu Griet num ambiente misterioso e frio. Criou-lhe um nome, deu-lhe uma vida, uma família, um trabalho, um turbante e um par de brincos e pô-la a posar para Vermeer. Griet começa a trabalhar na casa do artista, como empregada. É um trabalho duro. Mais tarde, passa a ajudá-lo no seu atelier. Fica fascinada com os materiais, com os quadros, com os novos dispositivos ópticos (câmara escura) e com o próprio génio. Posa para ele e morde os lábios, com toda a força, para que pareçam mais carnudos e vermelhos. Griet representa a inocência, abusada física e psicologicamente por todos mas, também representa a inspiração de um génio, o crescer da criatividade…sendo ela, no fim de contas, apenas o seu modelo, podendo ser qualquer uma. O resto, só lendo. Aconselho a sua leitura porque, além de ficcionarmos acerca deste quadro enigmático, somos, obrigatoriamente, inseridos num contexto histórico onde a criação artística era uma realidade. Lemos descrições processuais relativamente à pintura da época que correspondem à verdade.

Ele via as coisas de uma maneira que as outras pessoas não viam, de tal modo que uma cidade na qual eu vivera a vida inteira me parecia um lugar diferente, e que uma mulher se tornava bela com a luz a incidir-lhe no rosto.

O filme (2003, Peter Webber) com o mesmo nome, foi, por sua vez, inspirado no livro. É um bom complemento à leitura. Não foge às descrições nem à simplicidade dos ambientes, antes lidos. Colin Firth, Scarlett Johansson e Cillian Murphy, nos papéis principais. Vale a pena, caso tenham interesse pelo mundo da arte!


segunda-feira, 11 de maio de 2015

Outfits V

Esta semana promete calor. É hora de ir buscar, ao fundo do armário, as sandálias e as peças frescas. Deixo aqui algumas sugestões para quem já está disposta a mostrar os braços e as pernas. Esperemos que o frio e a chuva se afastem por mais dias. Quem ainda sentir o vento a arrepiar-lhe a pele, basta complementar com um casaco e collants. É o que eu tenho feito, pelo menos, de manhã quando o sol ainda está tímido. 

 Macacão H&M 24.99€ | Óculos Stradivarius 9.95€ | Carteira Misako 25.99€ | Sandálias Stradivarius 29.95€
 Macacão H&M 14.99€ | Brincos Parfois 4.99€ | Mochila Seaside 22.99€ | Sandálias Stradivarius 35.95€
Macacão H&M 14.99€ | Colar Accessorize 15.90€ | Carteira Stradivarius 25.95€ | Sandálias Seaside 24.95€
Top Bershka 5.99€ | Saia New Yorker 16.95€ | Colar H&M 19.99€ | Carteira Lefties 9.99€ | Sandálias Seaside 34.50€


domingo, 10 de maio de 2015

Ir embora

Já se acabaram as mini-férias. Falta um mês para o fim do semestre. É tempo de dar o litro (ainda mais). E agora, é hora de sair da terrinha e voltar para o Porto. Falta pouco para me enfiar no autocarro e passar três horas altamente divertidas. Tento sempre ir embora o mais tarde possível. Mas, ou vou às cinco da tarde e o bus é directo ou, então, vou às seis e meia e o bus pára em todo o lado. É uma escolha difícil! Mas hoje decidi ir mais cedo. Anoitece mais tarde e ainda tenho tempo de chegar a casa e arrumar a tralha toda. Uma coisa que me irrita profundamente é, quando o autocarro tem, supostamente, wi-fi e depois...não tem ou não dá. Como não me apetece chegar lá e passar o tempo a apreciar uma paisagem que já conheço de uma ponta à outra, hoje já me precavi. Já fiz download de algumas séries. Agora resta esperar que a bateria do computador resista. Acho que é a primeira vez que faço isto. Costumo ver séries online portanto fiquei como uma burra a olhar para um palácio quando me deparei com os links de download. Parece que não sou deste século, eu sei. Mas não sou mesmo. Sou do anterior. Apesar de, nestes casos, ser bastante dependente deste bicho. Adorava conseguir ler nas viagens. Já tentei imensas vezes mas fico sempre enjoada. Ouvir música também não é uma opção porque começo a divagar muito na mayonnaise. A ir para sítios que já não quero ir. Talvez seja por usar os phones e sentir algumas coisas mais perto. Manias, vá. Música, fora dos ouvidos e bem alta! Conversar?Também não. Vou sozinha. E quem me dera ir sozinha mesmo, sem ninguém sentado ao meu lado. Não me levem a mal, mas odeio que se sentem ao meu lado. Sinto que estão a invadir um espaço que também não é meu. Contudo, o mais importante é que a viagem corra bem e que a semana seja magnífica! No próximo fim-de-semana, estarei de volta a casa, a casa mesmo!


sábado, 9 de maio de 2015

O umbigo


É com esta frase que começa o livro Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra (2002) do escritor Mia Couto
Na morte, a vida torna-se ausente. Mas terá isso alguma importância? Será que esse momento marcado e datado na história das pessoas, é assim tão decisivo? Ou será apenas um sinal de vida? Todos carregamos uma cicatriz. Raramente nos lembramos dela. Os umbigos conseguiram ganhar um estatuto no nosso corpo. São feios e horríveis mas, mesmo assim, passam despercebidos. Simplesmente porque escolhemos, inconscientemente, não os ver. Fingimos que não estão lá porque lá pertencem. Se eles, de repente, saíssem do seu lugar anatómico, a nossa barriga iria perder toda a expressividade. Iria perder uma boca ou um olho, conforme olharmos para ele. Iria perder uma cavidade que nada lhe oferece e nada lhe retira. Não temos memória do nosso nascimento. Nem do parto de quem nos pariu. Ainda bem. Carregamos esta cicatriz sem a memória do nosso cordão umbilical. Temos uma marca de vida. De morte. Carregamos connosco uma viagem. Uma viagem com bilhete de ida apenas. Ida para a morte. Mas, tal como o umbigo, a morte não é assim tão má. Afasta-se da vida. Corta-se de tudo. Desprende-se de tantos cordões. Depois, uma ferida. Depois, uma cicatriz. Depois, a inconsciência de ter sido algo. Alguém. Um vazio com forma. Uma forma vazia e cheia de memórias. A morte passa a ser um momento de acontecimentos passados. A morte dilui-se. Olha-se ao espelho e vê, no seu umbigo, uma lembrança. Quem e aquilo que morre passa a ser apenas uma marca de quem/daquilo que foi. Nós, vivos, sabemos disso.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O Preto e os outros

Algumas das combinações que tenho vestido ultimamente, para balançar entre o frio e o calor. Eu sei que é mais que visível que o preto me persegue. Mas sempre foi assim e vai continuar a ser. No dia-a-dia costumo usar estas peças mais básicas com alguns apontamentos de cor. Tanto nos padrões como nos acessórios. Gosto de vestir o que me apetece, como todos nós. Opto sempre por andar o mais descontraída e confortável possível. Quem se identificar com o estilo: sintam-se inspiradas!





quinta-feira, 7 de maio de 2015

Allan Poe

Histórias Extraordinárias reúne contos, entre 1833 e 1945, de Edgar Allan Poe. Este génio atormentado e invulgar, é hoje reconhecido como o grande percursor dos contos policiais, do terror gótico e da literatura fantástica. Todas as personagens fazem parte do próprio Allan Poe. Todas elas são igualmente doentias e apaixonantes. Assim sendo, a personagem de Poe, sempre a mesma, é capaz de transmitir uma série de sentimentos que, por si só, não existem. Eles dependem do sobrenatural, da razão, da natureza, do absurdo, do horrível, da loucura, do homem. Penso que esta personagem está interiorizada em cada um de nós. Chegamos a viver situações extremas que nos levam a conhecer o outro lado da mente. Tal como Poe, o alcoólico e louco, também nós somos capazes de rir com a dor e chorar lágrimas que não partem do coração. Aconselho a leitura destes contos pela tentativa de atingir a mente perturbada do autor, visto que é possível comprovar os seus traços íntimos. São mais do que simples histórias assombrosas. Eles retratam também experiências do ser humano, acompanhado pela morte e por uma forte e violenta imaginação. Apesar de, muitas vezes, nos causarem arrepios, são uma grande fonte de inspiração e energia. Celebremos a loucura!

Os homens chamaram-me louco; mas está ainda por estabelecer se a loucura é ou não a mais suprema inteligência, se muito do que é glorioso, se tudo o que é profundo não provém de uma enfermidade do pensamento - de modos do espírito exaltados em detrimento do intelecto geral.