Páginas

domingo, 31 de maio de 2015

Outfits Casamento

Vou-vos confessar uma coisa: nunca fui, em 21 anos, a um casamento. Convidem-me, por favor. Não sei o que é, segundo me contam, aquele aperto na garganta que faz chorar. Por alguma razão, o casamento é dos momentos mais emocionantes para quem deseja casar. Porquê? Isto é, afinal é só uma festa. Será? Acho que mesmo os corações mais frios se derretem. Para mim, o casamento enquanto mudança de alguma coisa, não existe. Existe sim, enquanto celebração de algo que já é real. Mas não acredito que intensifique o amor, só por si mesmo. Mas como todos temos opiniões e objectivos diferentes neste assunto, não importa. Contudo, não nego que seja um dos dias mais festivos da nossa vida, ou da vossa ou da deles. A minha prima (que partilha o meu nome) vai a um casamento. Ou dois, eu sei lá. Portanto decidi criar-lhe algumas opções para se poder inspirar. Os looks foram todos pensados para o short hair que se apoderou dela. Tentei fazer algumas conjugações simples e outras mais arrojadas. Apesar de nunca ter ido a nenhum, não vejo necessidade em irmos todas(os) arranjadinhas a um casamento. Arriscar um bocadinho não faz mal a ninguém. Espero que gostes B. Para quem gostar: sintam-se inspiradas, seja para um casamento ou para outra festa.

 Brincos Parfois | Clutch Zara | Sapatos H&M | Macacão H&M
 Brincos Parfois | Clutch Benetton | Sapatos Benetton | Top Zara | Saia H&M
 Brincos Topshop | Clutch Accessorize | Sapatos Stradivarius | Vestido Choies
 Anéis Choies | Calças Stradivarius | Top Zara | Sandálias Primark | Clutch Parfois
 Brincos Parfois | Clutch Pull&Bear | Sandálias Primark | Vestido H&M
Brincos Topshop | Clutch Accessorize | Sandálias Topshop | Vestido Primark

sábado, 30 de maio de 2015

Índole do Ser Humano


       É uma das questões inquietantes que mais perturbam a mente humana. Qual a índole do ser humano? Somos, por natureza, bons ou maus? Poucos ou até nenhuns saberão a resposta. E, quando pensamos sabê-la, caímos em respostas inconclusivas.
        O homem vive num ambiente social que o impede de libertar a “fera humana”. Não é capaz de exprimir as suas frustrações e ideias mais profundas, macabras talvez. Vivemos de pensamentos que vão desde ajudar alguém na rua (a boa acção) até assassinar o nosso vizinho quando, às quatro da manhã, descarrega o autoclismo (o pensamento “enclausurado”). Isto é, há, em nós, um instinto completamente selvagem, irracional e de pouca duração que nos leva a querer aniquilar um terceiro. A efemeridade destes momentos torna-nos pessoas melhores pois, rapidamente, ganhamos consciência do mal que nos traria se cometêssemos um crime. Contudo, tudo isto acontece nas pessoas ditas normais. As outras, com problemas que já nem a psiquiatria ou a prisão controlam, cometem os piores actos, quer seja pelo calor do momento ou por vontade própria, quer se arrependam ou não. A verdade é que os cometem e cabe aos tribunais (é uma piada) julgar a natureza do seu comportamento. Há factores, na vida desses seres, que jamais seremos capazes de entender. Através dos seus crimes, percebemos a complexidade dos seus problemas mentais. Por esta ordem de ideias, podem-se constatar dois lados do lado “mau” do homem: o lado perfeitamente normal, ao nível do pensamento e o lado concreto, o dos assassinos sem causa. É como uma representação do “monstro” humano interior controlado vs monstro real. As diferenças entre os dois são, obviamente, enormes.
       Existe, ainda, um terceiro lado: o vingativo com causa. Aqui, é que se levantam grandes dúvidas em relação à verdadeira intenção do sujeito. Desde sempre conhecemos histórias de heróis que “combatem o mal e preservam o bem”. A televisão, o cinema e a literatura sempre idolatraram este conceito chave para a criação de novas aventuras: novos heróis e novos vilões. Assistimos a isto constantemente no nosso dia-a-dia e, mesmo que esta fantasia trágica traga mortes e catástrofes, nós, movidos pelo factor “monstro interior controlado”, adoramos que seja feita justiça contra todos aqueles que prejudicam a paz humana. Até que ponto matar quem mata é justo o suficiente para vivermos melhor em sociedade? Declaro-me fã da série televisiva americana “Dexter”, cujo protagonista veste a pele de um técnico forense especializado em sangue na polícia de Miami. A sua “missão” é matar todos aqueles que escapam à lei. Assim, servindo-se do seu emprego como disfarce, torna-se ele próprio assassino em série, assassinando, cruelmente as suas vítimas e depois cortando-as em pedaços que despeja no fundo do mar. Consegue recolher de cada um uma amostra de sangue que guarda, religiosamente, como se tratassem de troféus. Enquanto espectadora, isolo o mundo fantástico da ficção e interpreto-o de maneira a caber no mundo real, para que não seja apenas uma ideia televisiva. O meu imaginário, também conhecedor dos ideais da justiça, aceita a morte pela morte no campo da ficção pois é totalmente impossível ser imune ao prazer de ver o “mau da fita” ser castigado. Torna-se até inquietante estar do outro lado do ecrã e não ter meios para agir e, por este motivo, alguém o faz por nós. Ainda bem que assim o é.
        Há três ideias a diferenciar: o “eu” com pensamentos tétricos, o “eu” assassino e o “eu” justiceiro. Jamais saberemos identificar a percentagem de “mal” em cada um deles pois não se trata de uma ciência exacta. Aquilo que sabemos é que o homem depende de muitos factores para ser caracterizado, exclusivamente, como “bom”. Os dois adjectivos, o preto e o branco andam sempre de braço dado e, por vezes, complementam-se. Há que saber medir a quantidade de cada um para alcançar um tom cinza harmonioso. 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Saudações Irritantes


O que é que faz a minha boa educação? Faz-me ser bem educada, claro. Mas nem sempre. Há pessoas que existem no mundo para me ver apenas de bentas. Saudar as pessoas faz parte da minha rotina. Bom dia aqui, boa tarde além e boa noite sabe-se lá onde. É um acto automático mas reflectido. Não digo bom dia a qualquer um. Garanto-vos que não gasto saliva com quem não a merece. Uma das coisas que mais me irrita neste mundo é a extrema simpatia da minha mãe. Diz bom dia a toda gente. Conheça ou não. Se passar um turista na rua (que nem português fala), lá está ela armada em Miss Simpatia a desejar o melhor dos dias a um estranho. Nunca me verão a fazer a isto. Ei que mau feitio. Sim e não. A verdade é que tenho alguns traumas relativamente a este assunto. Devem ser mais de mil as vezes em que entrei num estabelecimento, disse um bom dia fofinho e ninguém me respondeu. Ora, muito bem. Mas como eu não sou de desistir, continuei a espalhar a minha felicidade matinal forçada. Sem resultados. O pior é quando isto acontece com pessoas que somos obrigados a olhar todo o santo dia. Não respondem por sermos nós em concreto. Não respondem porque são bestas, snobs e só querem a felicidade diária para eles. Bem, assim sendo, deixei de largar palavras simpáticas. O bom dia passa a ser meu. Exclusivamente meu. Vá, não é bem assim. Ainda há aqueles 10% merecedores de boa educação, respeito e palavras doces. A esses, até um sorriso lhes disponho. Não sou assim tão má pessoa. Ultimamente as que pessoas que mais me têm ouvido são as funcionárias da faculdade. Vou para lá muito cedo, numa hora em que as ladies ainda estão a limpar o chão. Sinto-me tão mal por deixar aquilo tudo patinado. Mal seria se não expulsasse um bom dia encantador. A boa tarde fica para os cafés, para as lojas, etc. A boa noite destina-se, sobretudo, ao mundo virtual. Uma mensagem ou uma chamada. Sabemos que a noite seria bem melhor se não tivéssemos que o fazer dessa maneira. Um até amanhã mentiroso. Um xau. E um bom dia outra vez.

Sabem quando andamos na rua com a nossa mãe e paramos em todas as capelas para falar com alguém? E o que ouvimos é sempre: ai que grande estás. Mas não. Não estamos. Ai já não te via há tanto tempo. Ainda bem. Lembro-me tão bem de ti, quando eras bebé. Eu não. Estas pessoas desviam-me da minha órbita. Não as suporto. Sobretudo quando sei que a sua essência equivale a pouco. Quando sei que a falsidade que carregam é incurável. Isto acontece em todas as idades. Os "ais" é que vão sendo substituídos. Ai estás tão magrinha, devias comer mais. Ainda mais? Ai estás tão linda, minha filha. Filha?Credo, nunca. Bonita?Com esta borbulhona no meio da testa? Eu sei, eu sei, as pessoas estão só a apelar à boa educação. Mas o meu little diabo diz-me que não, que apenas gostam de mandar postas de pescada para o ar. Seja como for, não costumo pôr máscaras nestas ocasiões. Deixo a minha face pálida, hirta, inexpressiva. E, às vezes, ainda belisco o braço à minha mãe...

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Cinco, o quê?

The Notebook 2004
Pois é. Cinco anos. Já? Eu tinha 16 anos. Ele tinha 18. Não vou começar assim. Estava a gozar. Só daqui a umas semanas é que eu e o meu namorado celebramos, oficialmente (haha) cinco anos de namoro. Ai, sinto-me tão parola a escrever isto. Não faz mal. Mas foi, exactamente, há cinco anos que um de nós deu o primeiro passo. Quem? Eu, claro. O meu namorado era o gajo do liceu com ar de junkie inconformado. Eu era a "odeio toda a gente" de eyeliner nos olhos. Ele, sempre solitário. Contava os segundos para sair daquele antro de gente estúpida. Eu, rodeada dos meus amigos. Não sei dizer como e quando comecei a olhar pare ele de outra maneira. Era incrível como conseguia arrepiar-me, mesmo a metros de distância. Sentia a presença dele, mesmo sendo cega. E estava mesmo cega. Não conseguia pensar noutra coisa sem ser naquele par de olhos verdes, ainda mais verdes que os meus. E naquelas repas loiras despenteadas. O meu namorado era o gajo que era largado pelos amigos de carro à porta da escola. Enquanto ouviam psy trance nas alturas. E eu cada vez mais...apaixonada? Comecei a perceber-lhe as rotinas, os amigos, os gostos, as loucuras, o pensamento. Era tão enigmático. E, mesmo assim, eu sentia que o conhecia há anos. Que havia uma espécie de íman entre nós. E havia. Ele nunca me lançou um sinal de fogo. E sabia lá eu se tinha namorada. Também não queria saber. Então, arregacei as mangas e decidi falar-lhe. Tentei, numa ida à wc. Mas ia tendo um ataque mal o vi. Passados alguns dias, numa ida ao teatro, lá estava ele. Era de manhã e ele parecia estar cheio de sono, pronto para entrar e adormecer enquanto toda a gente fingia ver uma peça que nem eu me lembro. Vi em que lugar ficou e fiquei estrategicamente sentada no lugar da fila de trás. 'Ca esperta sou. Cheia de coragem. toquei-lhe delicadamente no ombro. Não reagiu. Outra vez. Nada. Outra vez. Olhou para mim, espantado. Perguntei-lhe se podíamos falar lá fora. Acenou-me que sim. E foi lá fora que vomitei todas as palavras que tinha guardadas. Nem as repito. Imaginem as coisas mais foleiras que se podem dizer a alguém que nem conhecemos. Tinha visto há pouco tempo na Betty Feia que, quando amamos alguém, as pessoas e os objectos à volta ficam cinzentos. Só a pessoa é que fica iluminada e a cores. Assim foi. Ele mal falou. Deu-me, estranhamente, dois beijinhos e cada um seguiu o seu caminho. Ganhei um chupa de iogurte da minha amiga Citrina. Tínhamos feito uma aposta. Passei dias agoniada e com vergonha. Nem sabia o nome dele. Até uma certa terça, dia do teste de História da Arte. Estava eu sentada no liceu, a dar uma volta final aos resumos, quando o moço passa. E nada. E volta a passar. E alguém me diz "Ele está a vir para aqui". Lá fui com ele, ouvir-lhe as palavras. Tresandava a tabaco mas para mim eram flores. A seta que lhe espetei no coração veio directa a mim. E não foi rejeição. Foi correspondência. A partir daí, falámos todos os dias. Ele abriu-se num mundo fantástico que eu desconhecia. Quem era aquela pessoa? Tão melhor. Tão melhor que as pinturas que eu lhe fazia. Tão louco e tão doce. Beijá-lo foi como sentir formigas a passarem nas costas. Quer dizer, não. Isso aconteceu mesmo. E só para isto ficar tudo mais fofinho e especial: o giraço já me tinha posto o olho em cima.  Mas sempre me achou um mirtilo difícil de apanhar. Mal nós sabíamos que, além de nos alcançarmos, nos iríamos aturar mutuamente durante tanto tempo. É uma relação imperfeita feita de momentos perfeitos. O meu namorado é das pessoas mais humanas que conheço. Tem um coração tão grande que até mete nojo. É o meu melhor amigo. É meu irmão. É meu pai. E tem que ser porque eu exijo mimo constante. Por outro lado, sabe ser cruel. Sabe abrir as golas e deixar bem claro que está indignado ou, como ele diz, fodido. Já o fiz sofrer. Já fiz por não o merecer. Fiquei a saber que, além de o merecer, também mereço o seu perdão. Já tive vontade de o matar, de o triturar e de o comer. E depois de o apertar, de o beijar e lhe dar duas estaladas. E depois ele agarra-me e ri-se. E o nosso amor anda sempre assim, descontrolado. Mas não desaparece. Já cresceu. Já é muito sólido. É sério e é bonito. Mas também é espontâneo e anda de mãos dadas com a insanidade. Não somos cão e gato. Somos apenas dois gatos que às vezes ronronam e se aninham. Somos apenas dois gatos que eriçam o pêlo e se aleijam com as garras. Uma coisa é certa, não quero parar de miar ao luar com ele. Nunca. Já marcámos o território um no outro, com uma spayzada de xixi, como gatos exemplares.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Padrões Realistas





















De repente, encontrei-me no site da Smooooth Clothing. É uma marca de roupa que imprime, nos seus artigos, padrões e texturas realistas. Hoje deixo-vos aqui alguns exemplos loucos do que podem lá encontrar. É como se estivéssemos a olhar para uma fotografia. Tenho imensa curiosidade em ver o resultado ao vivo. Acredito que sejam muito bem executadas pois o preço é, na minha opinião, um pouco excessivo. O pior são os portes de envio (de Espanha para Portugal) que são estupidamente caros. As peças podem ser adquiridas online ou na loja em Barcelona. Bem, seja como for, acho os tops e t-shirts muito originais. Não me importava nada de ter a selecção que fiz. Apesar de ser um pouco estranho andar com sushi no corpo. Quer dizer, fora dele. Pelo menos, com esta erva (do top) podemos andar à vontade. E depois partir numa estrada aberta com rumo a nenhures. E então?Gostam?Ou acham que é too much going on?

Sushi-30.25€ | Outras 24.20€

todas - 39.93€

terça-feira, 26 de maio de 2015

Lana Del Rey


Se me dissessem, há uns anos, que eu ia ouvir Lana Del Rey com tanta vontade e emoção, provavelmente não acreditaria. Não lhe consigo ouvir uma música sem lhe devorar os álbuns todos. É dramaticamente viciante. Há qualquer coisa de inexplicável na música dela. Se por um lado tem uma temática americana acentuada, por outro faz-nos identificar com, literalmente todas, as palavras que canta. É sobre ela mas também é sobre nós. Há sempre uma história pronta a ser contada para além dos amores e desamores. Há sempre uma personagem em cada música que o deixa de ser. Ocupamos-lhe o lugar. Pelo menos, é o que eu sinto. Blue jeans, white shirt. Walked into the room you know you made my eyes burn. It was like, James Dean, for sure. Foi assim que vi o meu namorado pela primeira vez. Gozem lá comigo. Eu não me importo.
Música à parte, considero-a uma figura bastante interessante. Adoro como passa de totally desleixada a bonequinha. Como passa de tons fortes e peças básicas para pastéis e vestidos. Assim, decidi criar cinco looks inspirados nela. Não são cópias exactas de algo que tenha usado. São apenas peças combinadas tendo em conta o estilo dela. You fit me better than my favourite sweater.

Blusa H&M 16.99€ | Saia Stradivarius 15.95€ | Óculos Primarks 3€ | Cinto H&M 9.99€ | Carteira Primark 5€ | Sapatilhas Primark 7€
T-shirt Lefties 5.99€ | Clutch Benetton 44.95€ | Sabrinas Benetton 39.95€ | Bandolete Bijou Brigitte 14.95€ | Jeans H&M 49.99€
Camisa H&M  9.99€ | Calções Topshop 60€ | Brincos Parfois 4.99€ | Clutch Accessorize 18.90€ | Sandálias Topshop 42€ 
Vestido Tiffosi 35.99€ | Colar Benetton 12.95€ | Carteira Benetton 29.95€ | Sandálias Topshop 77€
Top H&M 4.99€ | Calções Zara 29.95€ | Óculos C&A 4.90€ | Carteira Stradivarius 7.95€ | Sapatilhas Seaside 22.99€

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Os Extâses


Digo-vos uma coisa: de santa não tenho nada. Talvez a minha cara pálida e o ar cândido que tenho vos enganasse. Fica esclarecido que não sou santa. Hoje vou falar de duas giras que, de santas também não deviam ter muito. Bernini foi um artista barroco. Destacou-se na escultura pelo seu trabalho exímio. Trabalhou, principalmente, em Roma e no Vaticano. Grande parte das suas obras foram encomendadas por papas. 
O Êxtase de Santa Teresa (1652) representa Santa Teresa de Ávila no momento da aparição do anjo. Não, não foi o Gabriel. Esse foi à outra. Já vos explico. A Teresa (permitam-me tratá-la por tu) foi uma freira da ordem carmelita. Sempre foi uma pessoa bastante mística e espiritual. Certo dia ficou doente. A doença alastrou-se durante alguns anos e a pobre santa começou a ter alucinações. Estas traziam consigo o pecado, o afastamento de deus mas também a sua enorme proximidade. As suas visões eram altamente descritivas. Uma delas foi com um anjo. Ela afirmou ter visto um anjo prestes a lançar-lhe uma seta. Aqui está a sua descrição:

Eu vi em sua mão uma longa lança de ouro e, na ponta, o que parecia ser uma pequena chama. Ele parecia para mim estar lançando-a por vezes no meu coração e perfurando minhas entranhas; quando ele a puxava de volta, parecia levá-las junto também, deixando-me inflamada com um grande amor de Deus. A dor era tão grande que me fazia gemer; e, apesar de ser tão avassaladora a doçura desta dor excessiva, não conseguia desejar que ela acabasse...

E então?Parece uma passagem sufocante de sexo, não é?Bernini esculpiu esta ideia com grande virtuosismo. Não a despe, atira-lhe as vestes para cima. Põe-na numa posição de entrega. Põe-lhe um dos pés e uma das mãos para baixo, soltas, livres. Abre-lhe a boca e quase lhe fecha os olhos. E assim está pronta para ser penetrada pela seta de um anjo, cujo sorriso nada tem de inocente. 

Em 1971, Bernini começou a esculpir a beata Ludovica Albertoni. Só entrou para a ordem Franciscana depois de ficar viúva. O conhecimento do prazer carnal distingue-a da Santa Teresa. A sua posição revela, também, bastante erotismo. A expressão é semelhante. Aqui é acrescentada uma mão num dos seios. O corpo acaba por estar, igualmente, tenso e relaxado. A sua postura submissa atribui-lhe um carácter solitário. 

Se nos apetecer ir mais longe, poderíamos falar de sexo, no primeiro caso e masturbação, no segundo? Talvez. Mas antes, vamos esclarecer algumas coisas.


















A História entrega-nos as duas partes. Qualquer católico fundamentalista (ou não) nos poderá dizer que estamos errados. Que, em ambos os casos, é óbvia a comunhão com deus. Que a dor das santas é meramente espiritual. Que a sua entrega é divina e eterna. E que nós, modernos, temos a mania de orgasmar tudo. E eu refuto dizendo o seguinte: naquela época (e na imensidão de épocas anteriores e posteriores) ninguém era indiferente ao sexo. À sua prática e exploração. E disto, Bernini tinha conhecimento. A elevação das almas de ambas corresponde sim à elevação do corpo. Porque eles não se separam. Fazem parte um do outro, quer tenhamos a espiritualidade ou a sensualidade em mente. Como eu sempre digo, cabe-nos a nós interpretar as obras de arte. Conhecer o seu contexto, sempre. Mas dar uso aos olhos e às emoções não custa nada. Olhar para o belo mármore esculpido por Bernini e ver, nos extâses, aquilo que vemos simplesmente.